EnglishEspañolPortuguês

POSICIONAMENTO

Santuário de Elefantes Brasil lança nota pública contestando suspensão que impede novos resgates

De acordo com o santuário, essas alegações não têm fundamento e vêm sendo repetidas há anos para gerar medo e dúvida.

7 de janeiro de 2026
Redação ANDA
6 min. de leitura
A-
A+
Foto: Santuário de Elefantes Brasil

O Santuário de Elefantes Brasil divulgou hoje (07/01) em seu site um posicionamento público após a suspensão cautelar de sua autorização para receber novos animais no santuário na Chapada dos Guimarães, determinada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso.

Leia abaixo, a nota do Santuário de Elefantes Brasil na íntegra:

Nota Sobre Suspensão da SEMA

Queremos compartilhar com vocês alguns acontecimentos recentes, muitos dos quais expõem um lado preocupante da nossa sociedade, em que alegações falsas e negativas são mais facilmente aceitas do que verdades positivas. Parece que, no mundo de hoje, é mais simples acreditar em acusações de manipulação e corrupção do que aceitar que a honestidade e a integridade existem.

Após a morte da elefanta africana Kenya, a máquina anti-santuários reagiu com entusiasmo — algo por si só repulsivo — e essa perda trágica passou a ser usada para alimentar uma campanha antiga de descredibilização dos santuários. Há relatos de que pressões políticas significativas estão sendo exercidas sobre órgãos reguladores por pessoas com interesses diretos em determinados elefantes que atualmente estão sob ações judiciais, com o objetivo de impedir que esses animais sejam transferidos para o santuário.

Essas alegações não têm fundamento e vêm sendo repetidas há anos para gerar medo e dúvida. Infelizmente, as entidades oficiais responsáveis acabaram cedendo a essa retórica. Amplificada pela pressão pública e pelas limitações do período de festas, uma decisão apressada da SEMA, órgão estadual regulador do Brasil, resultou na suspensão temporária de nossa licença, afetando nossa capacidade de receber novos elefantes. Essa decisão não impacta em nada os elefantes que já vivem no santuário.

Enquanto aguardávamos esclarecimentos e informações adicionais da SEMA, a notícia da suspensão foi deliberadamente vazada para promover uma narrativa anti-santuários orientada por interesses específicos, e a mídia publicou essas informações.

Para resolver a denúncia, está sendo exigido que o Santuário de Elefantes Brasil apresente documentação detalhada sobre os exames e cuidados oferecidos — um nível de exigência que supera o adotado por qualquer outra instituição de cuidado animal na América do Sul. É importante ressaltar que representantes da SEMA já realizam inspeções anuais no santuário, algo que sempre apoiamos plenamente. No entanto, é fundamental que investigações como a que está sendo exigida de forma inédita para nossa instituição sejam conduzidas de maneira consistente em todas as instalações que mantêm animais, e não imponham um padrão desproporcional apenas ao nosso santuário.

Acolhemos com seriedade investigações e fiscalização rigorosas e acreditamos que uma análise regulatória bem informada é essencial. Esse processo oferece uma oportunidade para que os órgãos governamentais compreendam melhor a profundidade, a complexidade e o rigor do cuidado que oferecemos a elefantes que sobreviveram a décadas de condições comprometidas. Ao mesmo tempo, essas análises ajudarão a evidenciar a negligência prolongada que muitos desses elefantes sofreram antes de chegar ao santuário — condições amplamente documentadas, que já justificaram remoções no passado, mas que continuam sendo amplamente ignoradas quando o cativeiro é avaliado. Mais transparência beneficia não apenas os órgãos reguladores, mas principalmente os elefantes e todos que trabalham globalmente para elevar os padrões de cuidado.

Segundo informações, um dos grupos envolvidos na denúncia é a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), organização com a qual nos reunimos pouco antes deste episódio para discutir transparência e a possibilidade de abrir o santuário para visitas de seus membros. Nessa reunião, deixamos claro que nosso foco é o bem-estar dos elefantes, e não retirar animais de zoológicos, e que, sempre que a vida de um elefante puder ser melhorada por meio de melhorias no cuidado dentro dos zoológicos, queremos fazer parte da solução. Embora os representantes da AZAB tenham demonstrado abertura e receptividade durante a conversa, ainda assim optaram por essa ação — uma ação que não atinge apenas o nosso santuário, mas mina deliberadamente o trabalho e a missão de santuários em todo o mundo.

A verdade é que nenhuma das elefantas que chegaram ao SEB vindas de zoológicos no Brasil havia recebido cuidados médicos adequados antes da transferência. Não houve cuidado com as patas, diagnósticos, testes de tuberculose, e outros elefantes que morreram sob cuidados de zoológicos receberam necropsias inadequadas. Kenya não possuía registros prévios de avaliações de lesões, exames de sangue ou cuidados extensos com as patas. Ainda assim, a AZAB considerou apropriado questionar nossos cuidados, alegando que, mesmo após quatro ou cinco décadas sem assistência adequada, os elefantes que chegam ao santuário deveriam ser considerados saudáveis.

Sugerir que o santuário seja responsável pela morte de elefantes que chegaram em estado de saúde comprometido após décadas em zoológicos é tão absurdo quanto culpar uma instituição de cuidados para idosos pela morte de alguém aos 80 anos, depois de ter sido encaminhado para cuidados de fim de vida. Um dos zoológicos que enviou uma elefanta ao SEB afirmou, em particular, que desejava que ela fosse transferida antes de morrer em suas instalações. Os zoológicos sabem que essas elefantas são idosas, adoecidas e estão no fim da vida, mas agora celebram essas mortes como uma oportunidade de tentar enfraquecer o movimento progressista que busca oferecer aos animais uma vida melhor e mais adequada à sua espécie.

Há também um pequeno grupo — alguns dos mesmos indivíduos que afirmaram repetidamente, há dois anos, que Mara havia morrido — que pressionou a SEMA a vir ao SEB e contar nossos elefantes mais de uma vez. Por causa dessas mentiras e da manipulação de imagens, recebemos no santuário uma comitiva argentina composta por políticos, agências e representantes do setor zoológico. Inicialmente, eles redigiram um relatório falso sobre a visita e, posteriormente, tiveram de retratar suas declarações inverídicas. Esse grupo continua a fazer afirmações absurdas, sugerindo, por exemplo, que todas as nossas elefantas estão mortas e que fingimos que estão vivas para obter lucro financeiro, apesar de não recebermos qualquer financiamento governamental e de nossos documentos públicos estarem disponíveis para verificação.

Um influenciador que se apresenta como biólogo brasileiro zombou publicamente da tratadora que morreu em um santuário de elefantes no Tennessee, nos Estados Unidos. Ainda assim, são essas vozes que acabam sendo amplificadas, enquanto falhas graves de conhecimento técnico sobre elefantes no Brasil seguem amplamente incontestadas. Em um webinar recente sobre cuidados com elefantes, um suposto especialista afirmou, de forma incorreta, que não existe protocolo de vacinação contra raiva para elefantes e que elefantes selvagens não comem grama. Mesmo assim, é o cuidado oferecido pelo nosso santuário que está sendo questionado.

Pessoas que nunca demonstraram preocupação com os elefantes mantidos em zoológicos agora expressam indignação seletiva diante das mortes ocorridas no santuário. Quando elefantes jovens morreram em zoológicos no Brasil e na Argentina, não houve pedidos de investigação nem mobilização pública por parte desses grupos.

O GSE e o SEB nunca atacaram zoológicos na América do Sul e sempre evitaram expor publicamente abusos presenciados, justamente para não comprometer futuras transferências. Nosso objetivo sempre foi melhorar a vida dos elefantes. No entanto, não permaneceremos em silêncio enquanto informações falsas continuam sendo disseminadas por pessoas sem conhecimento técnico, que se apresentam como autoridades para defender interesses próprios.

Já acionamos nossos advogados, que preparam medidas legais contra aqueles que disseminam informações sabidamente falsas. Também lançamos uma petição solicitando que mortes prematuras ou trágicas de elefantes em zoológicos e outras instituições sejam investigadas com o mesmo rigor e as mesmas exigências impostas ao SEB. Se o processo for realmente imparcial, o mesmo nível de responsabilização será aplicado a todas as instituições que mantêm elefantes sob seus cuidados.”

    Você viu?

    Ir para o topo