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SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA

RS ganhará escultura de quatro metros de altura do Cavalo Caramelo

Obra será feita pelo escultor pernambucano Ranilson Viana

17 de dezembro de 2025
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Duda Fortes / Agencia RBS

Símbolo vivo da tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o Cavalo Caramelo deixará de ser apenas uma imagem de resistência humana para se tornar um marco da vulnerabilidade animal diante de desastres ambientais. O animal, que sobreviveu por dias isolado sobre um telhado em meio às águas, expôs de forma contundente a ausência de políticas públicas eficazes de proteção aos animais em situações de emergência climática. Agora, sua história será eternizada em um monumento no Vale do Taquari.

A escultura, com quatro metros de altura, será instalada às margens da BR-386, no município de Estrela, e será doada pelo escultor pernambucano Ranilson Viana. Cada metro da obra representará um dia em que o cavalo permaneceu sobre o telhado, lutando pela própria vida enquanto milhares de outros animais não tiveram a mesma chance de sobreviver.

O anúncio foi feito durante assembleia da Associação dos Municípios do Vale do Taquari, ocasião em que se destacou o valor simbólico da obra. Sob a perspectiva dos direitos animais, o monumento não representa apenas resiliência, mas também denúncia. Denúncia da invisibilização histórica dos animais em planos de prevenção, resgate e resposta a desastres climáticos, mesmo sendo eles vítimas diretas e massivas desses eventos.

A iniciativa do artista, que procurou a entidade para realizar a doação, foi motivada pelo impacto da imagem do cavalo isolado em meio à destruição. Seu gesto amplia o debate ao reconhecer que a crise climática não afeta apenas seres humanos, mas atinge de forma brutal animais domésticos, silvestres e de produção, frequentemente deixados para trás, abandonados ou mortos sem qualquer contabilização oficial.

O escultor, que recentemente ganhou projeção nacional por obras monumentais, assumirá integralmente os custos da escultura, enquanto o poder público local será responsável pela base, que remeterá ao telhado onde o cavalo ficou ilhado. Mais do que uma homenagem, o monumento do Cavalo Caramelo se impõe como um chamado ético para que animais deixem de ser tratados como danos colaterais e passem a ser reconhecidos como sujeitos de proteção em políticas climáticas e de gestão de riscos.

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