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ALTAS TEMPERATURAS

Rio Tietê ganha ‘tapete verde’: mancha de algas se espalha por mais de 105 km é registrada por satélite

Imagens captadas por satélite europeu mostram uma extensa faixa esverdeada formada por plantas aquáticas se multiplicando em trecho do interior de São Paulo.

19 de março de 2026
Alisson Ficher
3 min. de leitura
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Foto: Adalberto Carvalho e Thiago Henrique da Silva/Arquivo pessoal

Uma extensa mancha esverdeada causada pela proliferação de algas e plantas aquáticas se espalha por pelo menos 105 quilômetros no Rio Tietê, cobrindo trechos de quatro municípios do interior de São Paulo e preocupando moradores da região.

A dimensão do fenômeno foi confirmada por imagens do Sentinel-2, um dos satélites integrantes do programa Copernicus, iniciativa de observação terrestre mantida pela União Europeia para monitorar mudanças climáticas, variações ambientais e a qualidade dos corpos hídricos ao redor do globo.

Considerando o trecho entre Buritama e Novo Horizonte, a mancha se estende por cerca de 105 quilômetros, extensão calculada com base nas imagens do satélite e corroborada por registros aéreos obtidos a partir de um paramotor em voo sobre a região.

O fenômeno resulta da reprodução acelerada de plantas aquáticas impulsionada pelo excesso de nutrientes na água, com origem em esgoto doméstico ou industrial, vinhaça de usinas sucroenergéticas e fertilizantes agrícolas que chegam ao rio por enxurradas e escoamento superficial.

As algas e plantas aquáticas apresentam coloração verde intensa em razão da clorofila presente em suas células, e quando proliferam em grande quantidade, passam a tingir a superfície do rio, formando em alguns pontos uma camada espessa que lembra uma nata esverdeada.

Mau cheiro e risco à saúde dos moradores

Moradores às margens do Rio Tietê, em Novo Horizonte, relatam água verde-intensa com mau cheiro e aspecto de lodo, o que tem impedido o uso do rio para lazer e recreação, além de provocar coceira na pele de quem entra em contato com a água.

De acordo com a Cetesb, o processo tende a ocorrer com maior frequência nessa época do ano, quando altas temperaturas combinadas às chuvas recentes criam condições ideais para a proliferação acelerada de algas e plantas aquáticas nos rios e reservatórios.

Eutrofização e os efeitos sobre os peixes

O crescimento exacerbado dessas plantas aquáticas caracteriza o fenômeno científico conhecido como eutrofização, processo em que o enriquecimento excessivo do ambiente hídrico por nutrientes — principalmente fósforo e nitrogênio — estimula a proliferação de organismos fotossintéticos que alteram profundamente o equilíbrio do ecossistema.

Espécies como os aguapés têm especial impacto negativo sobre o oxigênio dissolvido na água, reduzindo drasticamente os teores que os peixes necessitam para sobreviver e criando condições inadequadas para a vida aquática, o que explica os relatos de mortandade registrados na região afetada.

Em ambientes com água parada, como reservatórios de usinas hidrelétricas, o processo de eutrofização tende a ser ainda mais acentuado, já que a ausência de correnteza limita a mistura e a oxigenação natural da água, favorecendo ainda mais a multiplicação das espécies invasoras.

As chuvas intensas do verão agravam o quadro ao provocar enxurradas que carregam fertilizantes das lavouras ribeirinhas para o leito do rio, reforçando o ciclo de enriquecimento por nutrientes que alimenta a proliferação das plantas aquáticas ao longo do trecho afetado.

Por outro lado, o fenômeno ressalta a urgência de ampliar investimentos em saneamento básico nas cidades ribeirinhas do interior paulista, dado que o lançamento de esgoto sem tratamento nos rios continua sendo uma das principais fontes dos nutrientes que alimentam a eutrofização.

No entanto, especialistas alertam que as ações de controle e remediação da eutrofização exigem esforços combinados que incluem monitoramento contínuo da qualidade da água, redução da poluição difusa proveniente da agricultura, controle do lançamento de efluentes industriais e educação ambiental das comunidades ribeirinhas.

Enquanto isso, as comunidades afetadas aguardam respostas das autoridades ambientais e governamentais para uma situação que, além dos impactos imediatos na saúde e no lazer, representa um sinal preocupante sobre o estado geral de conservação dos recursos hídricos no interior do Estado de São Paulo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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