Uma extensa mancha esverdeada causada pela proliferação de algas e plantas aquáticas se espalha por pelo menos 105 quilômetros no Rio Tietê, cobrindo trechos de quatro municípios do interior de São Paulo e preocupando moradores da região.
A dimensão do fenômeno foi confirmada por imagens do Sentinel-2, um dos satélites integrantes do programa Copernicus, iniciativa de observação terrestre mantida pela União Europeia para monitorar mudanças climáticas, variações ambientais e a qualidade dos corpos hídricos ao redor do globo.
Considerando o trecho entre Buritama e Novo Horizonte, a mancha se estende por cerca de 105 quilômetros, extensão calculada com base nas imagens do satélite e corroborada por registros aéreos obtidos a partir de um paramotor em voo sobre a região.
O fenômeno resulta da reprodução acelerada de plantas aquáticas impulsionada pelo excesso de nutrientes na água, com origem em esgoto doméstico ou industrial, vinhaça de usinas sucroenergéticas e fertilizantes agrícolas que chegam ao rio por enxurradas e escoamento superficial.
As algas e plantas aquáticas apresentam coloração verde intensa em razão da clorofila presente em suas células, e quando proliferam em grande quantidade, passam a tingir a superfície do rio, formando em alguns pontos uma camada espessa que lembra uma nata esverdeada.
Mau cheiro e risco à saúde dos moradores
Moradores às margens do Rio Tietê, em Novo Horizonte, relatam água verde-intensa com mau cheiro e aspecto de lodo, o que tem impedido o uso do rio para lazer e recreação, além de provocar coceira na pele de quem entra em contato com a água.
De acordo com a Cetesb, o processo tende a ocorrer com maior frequência nessa época do ano, quando altas temperaturas combinadas às chuvas recentes criam condições ideais para a proliferação acelerada de algas e plantas aquáticas nos rios e reservatórios.
Eutrofização e os efeitos sobre os peixes
O crescimento exacerbado dessas plantas aquáticas caracteriza o fenômeno científico conhecido como eutrofização, processo em que o enriquecimento excessivo do ambiente hídrico por nutrientes — principalmente fósforo e nitrogênio — estimula a proliferação de organismos fotossintéticos que alteram profundamente o equilíbrio do ecossistema.
Espécies como os aguapés têm especial impacto negativo sobre o oxigênio dissolvido na água, reduzindo drasticamente os teores que os peixes necessitam para sobreviver e criando condições inadequadas para a vida aquática, o que explica os relatos de mortandade registrados na região afetada.
Em ambientes com água parada, como reservatórios de usinas hidrelétricas, o processo de eutrofização tende a ser ainda mais acentuado, já que a ausência de correnteza limita a mistura e a oxigenação natural da água, favorecendo ainda mais a multiplicação das espécies invasoras.
As chuvas intensas do verão agravam o quadro ao provocar enxurradas que carregam fertilizantes das lavouras ribeirinhas para o leito do rio, reforçando o ciclo de enriquecimento por nutrientes que alimenta a proliferação das plantas aquáticas ao longo do trecho afetado.
Por outro lado, o fenômeno ressalta a urgência de ampliar investimentos em saneamento básico nas cidades ribeirinhas do interior paulista, dado que o lançamento de esgoto sem tratamento nos rios continua sendo uma das principais fontes dos nutrientes que alimentam a eutrofização.
No entanto, especialistas alertam que as ações de controle e remediação da eutrofização exigem esforços combinados que incluem monitoramento contínuo da qualidade da água, redução da poluição difusa proveniente da agricultura, controle do lançamento de efluentes industriais e educação ambiental das comunidades ribeirinhas.
Enquanto isso, as comunidades afetadas aguardam respostas das autoridades ambientais e governamentais para uma situação que, além dos impactos imediatos na saúde e no lazer, representa um sinal preocupante sobre o estado geral de conservação dos recursos hídricos no interior do Estado de São Paulo.
Fonte: Click Petróleo e Gás