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VIDA MARINHA

Queda na concentração de ferro no oceano representa um perigo para focas, pinguins e baleias

O aquecimento global está alterando a circulação oceânica, reduzindo a quantidade de ferro que chega ao mar. Isso pode prejudicar a capacidade do fitoplâncton de crescer e realizar fotossíntese, reduzindo, em última análise, o suprimento de alimento para animais como o krill, as baleias e as focas, de acordo com uma nova pesquisa.

13 de janeiro de 2026
Eva Cahill
2 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Pixabay

Alterações na distribuição de micronutrientes nos oceanos globais, impulsionadas pelo clima, podem reduzir a eficiência do transporte de ferro para os habitats marinhos, enfraquecendo a base das cadeias alimentares marinhas, alerta uma nova pesquisa. Crucialmente, com o tempo, isso pode significar menos krill e menos baleias, focas e pinguins.

O fitoplâncton marinho é composto por minúsculas algas que se encontram na base das cadeias alimentares oceânicas. Esses organismos dependem do ferro, um micronutriente vital, para crescer e funcionar. O ferro chega aos oceanos principalmente através da poeira atmosférica proveniente de desertos e regiões áridas, bem como pela água do degelo liberada pelas geleiras.

pesquisa, liderada por cientistas da Universidade Rutgers, mostra que, quando o ferro é escasso, o fitoplâncton desperdiça energia e a fotossíntese fica comprometida. Consequentemente, o fitoplâncton cresce mais lentamente, capta menos luz solar e remove menos dióxido de carbono da atmosfera. 

Para compreender as condições do mundo real, a autora principal, Heshani Pupulewatte, passou 37 dias no mar em 2023 e 2024.  Durante a viagem, ela mediu a fluorescência, que reflete a energia liberada pelo fitoplâncton quando a fotossíntese é interrompida. Ela também adicionou nutrientes para verificar se a fotossíntese era retomada quando as condições eram restabelecidas.

Os resultados mostraram que, quando o ferro é escasso, até 25% das proteínas que capturam a luz se “desacoplam” das estruturas que convertem a energia em formas químicas utilizáveis. Essa desconexão reduz a eficiência da fotossíntese do fitoplâncton.

De forma encorajadora, quando o ferro voltou a estar disponível, as algas conseguiram reconectar esses sistemas.

Paul G. Falkowski, um dos coautores do estudo, afirmou que evidências crescentes indicam que as mudanças climáticas estão remodelando os padrões de circulação oceânica e reduzindo a quantidade de ferro que chega ao mar. Isso, segundo ele, pode ter sérias consequências para os ecossistemas marinhos.

“O fitoplâncton é a principal fonte de alimento para o krill, os camarões microscópicos que são a principal fonte de alimento no Oceano Antártico para praticamente todos os animais, incluindo pinguins, focas, morsas e baleias”, disse Falkowski. “Quando os níveis de ferro diminuem e a quantidade de alimento disponível para esses animais da camada superior da cadeia alimentar é menor, o resultado será um número menor dessas criaturas majestosas”, acrescentou.

Os cientistas agora buscam compreender melhor como o ferro controla a fotossíntese em nível molecular. Pulpewaite sugeriu que, ao decifrar as pistas da natureza sobre esse processo, os pesquisadores poderiam antecipar melhor as mudanças na produtividade oceânica, bem como as alterações no ciclo global do carbono.

Traduzido de Oceanographic.

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