Pela primeira vez em mais de quatro décadas, os rinocerontes retornaram ao Parque Nacional do Vale de Kidepo, em Uganda, onde caçadores furtivos os dizimaram por seus chifres e carne.
Na terça-feira, dois rinocerontes brancos do sul se tornaram os primeiros de oito animais destinados a restabelecer a população no parque. O último rinoceronte da região foi morto em 1983, informou a Autoridade de Vida Selvagem de Uganda, responsável pela realocação.
Durante esse período de turbulência, caçadores dizimaram todos os rinocerontes em Kidepo e em outros parques nacionais de Uganda, que antes abrigavam cerca de 700 desses animais gigantes, segundo a agência de notícias Reuters.
A perda desses indivíduos resultou na extinção completa da espécie na natureza, em Uganda.
“Este momento marca o início de uma nova história para os rinocerontes no Parque Nacional do Vale de Kidepo”, disse James Musinguzi, diretor executivo da UWA, citado pela Reuters.
“A translocação desses rinocerontes é o primeiro passo para restaurar uma espécie que antes fazia parte do patrimônio natural do parque”, acrescentou.
Musinguzi afirmou que a iniciativa é orientada por um estudo que analisou a adequação do habitat, as necessidades ecológicas e as condições de segurança, e concluiu que Kidepo era um dos melhores locais para a reintrodução bem-sucedida da espécie.
A UWA afirmou que um santuário seguro para rinocerontes, equipado com cercas perimetrais, estradas de acesso, aceiros, instalações para guardas florestais, sistemas de água e tecnologia de monitoramento, foi implementado para garantir que os animais sejam efetivamente protegidos e gerenciados.
Os dois rinocerontes foram transferidos para Kidepo, uma vasta extensão de savana no remoto nordeste do país, de uma fazenda particular em Nakasongola, a cerca de 100 km (62 milhas) ao norte da capital, Kampala.
O rancho cria rinocerontes desde 2005, quando importou quatro rinocerontes brancos do sul de uma reserva de caça no Quênia.
A caça furtiva ainda é um desafio em Uganda, onde as autoridades prenderam e processaram indivíduos flagrados com marfim, pangolins e outras espécies ameaçadas de extinção, relatam ambientalistas.
O mercado ilegal de chifres de rinoceronte continua lucrativo, impulsionado pelo seu uso na medicina tradicional e pelo seu valor como símbolos de status em diversos países asiáticos.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o rinoceronte branco do sul como “quase ameaçado”, afirmando que sua população está diminuindo. Um levantamento de 2020 indicou que existiam pouco mais de 10.000 desses enormes mamíferos.
Traduzido de BBC.