O entorno da Praça da Gruta, em Araraquara (SP), abriga cerca de 30 gatinhos que vivem em situação de rua. A maioria dos animais foi abandonada por um antigo morador do bairro e acabou procriando no local. Hoje todos estão castrados.
No Dia Mundial dos Animais de Rua, comemorado nesta sexta-feira (04/04), o g1 conta a história do Projeto “Gatinhos Praça da Gruta”, idealizado e mantido pela aposentada Maria Helena Scuoppo Massi, de 66 anos, e a psicopedagoga Beatriz Estevam (Bia), 35 anos.
O projeto começou na pandemia, em 2020, e conta com ajuda de parceiros, mas também enfrenta desafios para a manutenção e rejeição de alguns moradores. Com muito amor, as protetoras conseguem driblar as dificuldades, cuidam dos animais diariamente e divulgam as ações em rede social.
“A alimentação e cuidados com os animais de rua pelo bairro sempre existiu. De início, organizamos um espaço na praça onde os gatinhos ficavam, com caixas de papelão, potes de ração e água. Com o passar do tempo e ajuda de parceiros, conseguimos aumentar os pontos de alimentação na praça e também nas ruas aos arredores. Mas, muitas pessoas que não gostam, batem os pés para espantá-los, jogam pedras, água e correm atrás”, comentaram.
Atualmente, a praça conta com vários pontos de alimentação, bebedouros, comedouros e casinhas doadas.
Obstáculos diários
Maria Helena informou que o gasto semanal com ração é de aproximadamente R$ 300. Parceiros, rifas, arrecadação de tampinhas plásticas e lacres de latinhas, bingo, doações, entre outros, mantêm o projeto em pé.
“O projeto sobrevive com a ajuda de alguns parceiros mensalmente. Temos um amigo e sua família que realizam o evento ‘Yakisoba solidário’, eles fazem toda a preparação do Yakisoba e o dinheiro arrecadado com as vendas é doado para nosso trabalho”, disse.
As protetoras comentaram que é uma luta diária manter o projeto e enfrentar alguns moradores que não concordam com o trabalho realizado por elas na praça.
“É uma luta diária manter a alimentação e enfrentar os olhares maldosos, ofensas e maldades de pessoas que não gostam e não respeitam o trabalho realizado. Mas, batemos de frente e não desistimos para que as pessoas possam um dia compreender que o animal comunitário tem sim o direito de estar ali, sendo cuidado. Infelizmente alguns moradores do bairro não gostam e não aceitam”, disse Bia.
Rotina de dedicação
Diariamente, com sol ou chuva, as protetoras se revezam na rotina de cuidados. A partir das 5h, Maria Helena coloca a ração nos potinhos e troca a água. A última refeição é feita às 18h pela Bia. Os gatinhos já ficam a postos aguardando as tutoras comunitárias.
“Os gatinhos já estão acostumados com os horários e ficam sempre a espera. Mesmo ariscos, eles sabem que nós estamos ali para levar alimentação e água fresca. Eles ficam ariscos devido a situação de vida, pois precisam se defender da maldade humana com muita frequência”, comentaram.
Elas também têm outra preocupação: o avanço da dengue. Por isso, os cuidados são redobrados para manter os potes de água sempre limpos, evitando focos para os mosquitos.
Castração e cuidados
Beatriz explicou que todos os gatos são castrados, mas sempre aparece um ou outro gatinho novo atrás de comida. Alguns acabam procriando e o esforço para castrar os animais recomeça. Os filhotes são cuidados e colocados para adoção após o desmame.
“Depois de muito tempo e muita persistência, conseguimos castrar todos nossos gatos. Mas, sempre aparecem gatos das ruas próximas à praça, e alguns acabam ficando, nem sempre são castrados o que leva a procriação. Quando encontramos os filhotes, realizamos o resgate, os cuidados, castramos a mãezinha e, após o desmame, colocamos todos para adoção”, disse Bia.
Através de apoiadores, elas conseguem gratuitamente as castrações, e todos os animais tem uma ficha preenchida.
“Nós temos alguns anjos em nossas vidas que nos momentos de socorro, nos ajudam com leite para os filhotes, saches, ajuda financeira, ração. São anjos que Deus colocou no nosso caminho. Aceitamos qualquer tipo de ajuda, financeira ou de produtos e itens para as rifas ou vendas, onde todo o dinheiro é usado para compra de ração”, contaram.
Além de toda a atenção aos animais, o zelo pela praça também está no pacote. Limpeza e outros projetos são organizados no espaço público.
“Em trabalho conjunto com o nosso projeto e com a ajuda da comunidade, também contribuímos com a limpeza e organização da praça com o Projeto Praça em Movimento. Onde são organizados dias de limpeza, de encontros, aula de crochê, caminhada e bate-papo”, finalizou Maria Helena.