O projeto-piloto Conexão Silvestre, que está sendo desenvolvido pela Light, pretende resolver um problema comum no Rio, onde a áreas urbanizadas e de floresta estão muito próximas: animais silvestres morrendo ou sendo feridos por descargas elétricas na rede de energia. Seu principal objetivo é a criação de uma ferramenta tecnológica que forneça dados confiáveis e detalhados das regiões mais propensas às ocorrências de eletrocussão de animais. Com este mapeamento, será possível priorizar estes pontos específicos com ações futuras na rede elétrica para minimizar as ocorrências, contribuindo com a preservação da fauna. O projeto acontece por meio de recursos financeiros do Programa de Desenvolvimento e Inovação (PDI), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em parceria com o Instituto Vida Livre e a Concert Lab.
O lançamento oficial do projeto ocorreu nesta quarta-feira no Centro Cultural Light e contou com a participação de representantes de órgãos ambientais municipais e estaduais, da Light, da Aneel, do Instituto Vida Livre e da Concert. O Conexão Silvestre terá um investimento de mais de R$ 3,1 milhões.
A ferramenta vai empregar técnicas de Inteligência Artificial para identificar os padrões de deslocamento dos animais, permitindo um monitoramento capaz de reconhecê-los por espécies e monitorar seus comportamentos ao terem contato com a fiação de energia (nesse cenário, a ideia é identificar esses comportamentos, para construir um plano de minimizar os impactos). Neste primeiro momento, a iniciativa está sendo aplicada no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, além de Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena, bairros na Zona Oeste da cidade.
“Escolhemos essas regiões iniciais pelas características de vegetação e biodiversidade, repleta de árvores e animais silvestres que habitam ali. Através de câmeras e de tecnologia de ponta, faremos o monitoramento dessas espécies. Estamos dando um passo importante junto com nossos parceiros para minimizar os acidentes causados pelo contato dos animais com a rede elétrica, reforçando o compromisso da Light com a biodiversidade do Rio de Janeiro”, explica Felipe Cruz, gerente de Meio Ambiente da Light.
A Concert Lab entra no projeto como empresa de tecnologia responsável pelo desenvolvimento da Plataforma Conexão Silvestre, que inclui a concepção e análise dos dados levantados no projeto com objetivo de treinar um modelo de Inteligência Artificial que indicará os pontos mais desafiadores.
“Para nós da Concert, é muito gratificante participar do Conexão Silvestre, pois estamos colaborando com nossa expertise para algo que acreditamos e almejamos: o uso de inovação e tecnologia em nome de uma convivência mais harmoniosa entre o setor elétrico e seu entorno”, destaca Bárbara Lotzniker, CEO do Grupo Concert.
Já o Instituto Vida Livre é uma organização não-governamental que trabalha na reabilitação e soltura de animais no Rio de Janeiro, com experiência no tratamento e soltura de animais acidentados.
“Tenho muito orgulho do Conexão Silvestre, porque este é o primeiro projeto de pesquisa do setor elétrico brasileiro voltado para nossa fauna silvestre no ambiente urbano. A parceria com a Light é uma conquista e uma esperança por uma cidade mais sustentável”, ressaltou Roched Seba, presidente do Instituto Vida Livre.
Análise dos dados
Atualmente o Conexão Silvestre está em fase de desenvolvimento da solução da web, o que significa que estão sendo realizadas a estruturação e análise dos dados de ocorrências na rede elétrica da Light, obtendo dos dados geográficos e comportamentais, além de informações sobre relevo, clima e avistamento de animais nas regiões indicadas. Com base nessas informações, será feito o desenho inicial da ferramenta.
Fonte: O Globo