Galos explorados em rinhas estão sendo reabilitados em Formiga (MG). O projeto traz esperança para esses animais que, após serem resgatados, são frequentemente mortos, sem que tenham qualquer chance de viver em paz.
A promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, responsável pela Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna (Cedef), explica que a destinação dos galos costuma ser um desafio para os órgãos públicos que combatem as rinhas.
O projeto, que apresenta uma opção ética para esses animais, é realizado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Cedef e da 4ª Promotoria de Justiça de Formiga, em parceria com o Centro Universitário de Formiga (Unifor) e a Associação Regional de Proteção Ambiental (Arpa II) de Divinópolis. As informações são do G1.
O protocolo usado no projeto foi desenvolvido e testado, com sucesso, pelo professor da Unifor, Dênio Garcia. Após o resgate, os galos ficam em quarentena. Eles são submetidos à triagem, ressocialização e readaptação antes de serem reintegrados ao meio ambiente.
Ao final do processo, as aves recebem chips e anilhas e são doadas a proprietários rurais selecionados através de programas de agricultura familiar cadastrados na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Pessoas que assinem termo de adoção no qual sejam inseridos dados de identificação da ave e da pessoa, assim como as obrigações no cuidado com o animal, também podem adotar os animais.
Além do trabalho feito com os galos, o projeto promove educação ambiental ao debater com as comunidades sobre a importância das ações de ressocialização, reintrodução e reabilitação. Durante um ano, as aves serão monitoradas para que a eficiência da técnica e o subsídio ao aprimoramento dela sejam avaliados.
Os responsáveis pelo projeto têm a expectativa de que pelos 50% dos galos sejam reabilitados.
Exploração e crueldade
Os galos são submetidos a inúmeros abusos para que se tornem violentos e sejam explorados nas rinhas. É o que afirma um levantamento feito pela Central de Apoio Técnico do MPMG.
O estudo mostrou que as aves são mantidas em gaiolas pequenas e individuais, em más condições de conforto, sem água e alimento. Esse cenário aumenta o estresse dos galos, deixando-os bravos como forma de defesa.
Como consequência das rinhas, os galos ficam feridos, mutilados e sem penas em regiões do corpo.