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DESRESPEITO

Projeto militar dos Estados Unidos com a SpaceX coloca em risco milhares de animais no Pacífico

Em março, a Força Aérea informou que selecionou o Atol Johnston, um território dos Estados Unidos no Oceano Pacífico que é refúgio de aves selvagens para o projeto militar americano de usar jatos para entregar suprimento de guerra em até 90 minutos em qualquer lugar do planeta.

2 de abril de 2025
5 min. de leitura
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Aves que vivem em atol no Pacífico. Foto: Reuters

Um projeto proposto pela SpaceX, de Elon Musk, e pela Força Aérea dos Estados Unidos para testar entregas com foguetes hipersônicos em um território no Pacífico pode colocar em risco aves selvagens. Segundo biólogos e especialistas, são anos e muito dinheiro do governo americano investidos na proteção desses animais que agora podem estar ameaçados.

Em março, a Força Aérea informou que selecionou o atol Johnston, um território dos Estados Unidos no Oceano Pacífico localizado a quase 1,3 mil quilômetros do Havaí, como local para testar o programa Rocket Cargo Vanguard, desenvolvido em parceria com a SpaceX.

O programa pretende acelerar a entrega de material de guerra, tornando os Estados Unidos capazes de disponibilizar armamentos em qualquer lugar do planeta em menos de 90 minutos. A promessa é que os foguetes transportariam até 100 toneladas de carga nessa velocidade.

De acordo com biólogos e especialistas que já trabalharam no atol de 2,6 quilômetros quadrados — designado como Refúgio Nacional de Vida Selvagem dos EUA e parte do Monumento Nacional Marinho das Ilhas Remotas do Pacífico — o projeto pode representar uma ameaça significativa para as 14 espécies de aves tropicais da ilha.

Cerca de um milhão de aves marinhas utilizam o atol como lar durante todo o ano, o que o torna um habitat essencial para uma variedade de vida selvagem. Entre essas espécies estão o pássaro tropical de cauda vermelha, o atobá-de-patas-vermelhas e a fragata-grande, cuja envergadura pode chegar a 2,5 metros.

“O maior problema será o som dos foguetes expulsando as aves dos ninhos, deixando-as tão ansiosas e inseguras que não retornarão, o que pode resultar na perda de gerações”, afirmou o biólogo de vida selvagem Ryan Rash, da Universidade do Texas, que passou quase um ano em Johnston.

A Força Aérea e a SpaceX estão preparando uma avaliação ambiental do projeto, que será aberta para comentários públicos nas próximas semanas. Essa avaliação é uma exigência sob a National Environmental Policy Act antes que a Força Aérea possa prosseguir com o projeto, cuja implementação está prevista para começar ainda este ano. O projeto prevê a construção de duas plataformas de pouso e o lançamento de até dez foguetes ao longo de quatro anos.

Quando anunciou o projeto, a Força Aérea disse considerar improváveis impactos ambientais graves, mas admitiu a possibilidade de prejuízos para as aves migratórias.

Um porta-voz da Força Aérea afirmou que a instituição está consultando de perto o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, bem como o Serviço Nacional de Pesca Marinha da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), “para avaliar os impactos e desenvolver medidas necessárias para evitar, minimizar ou mitigar potenciais danos ambientais”.

Vale lembrar que Elon Musk, dono da SpaceX, tem cargo de conselheiro no governo Trump. Suas ações têm afetado a atuação de agências ambientais e de pesquisa. A SpaceX não respondeu à reportagem.

Um refúgio para aves selvagens no Pacífico

No Pacífico, onde as terras despovoadas são escassas e ameaçadas pela elevação do nível do mar, as aves dependem do atol Johnston para nidificação e sobrevivência.

Essa dependência torna a proteção dessas aves essencial, segundo Desirée Sorenson-Groves, presidente da National Wildlife Refuge Association, um grupo sem fins lucrativos focado na proteção do Sistema Nacional de Refúgios de Vida Selvagem dos EUA.

“Essas pequenas ilhas oceânicas remotas são tudo o que resta para elas”, afirmou Sorenson-Groves. “Investimos muito dinheiro como país para trazer a vida selvagem de volta a esses lugares.”

O atol Johnston, fechado ao público, é administrado pela Força Aérea e gerenciado pelo Fish and Wildlife Service. A ilha foi usada para testes nucleares do final dos anos 1950 até 1962, e para armazenar munições químicas, incluindo o Agente Laranja, entre 1972 e 1975.

A Força Aérea concluiu a limpeza ambiental do atol em 2004, e desde então o local tem servido como refúgio para nidificação de aves marinhas e costeiras migratórias.

Fonte: G1

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