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EXEMPLO DE PROTEÇÃO

População de onças-pintadas cresce 10% no México

A UNAM e outras 30 instituições realizaram um censo em cinco regiões de 16 estados, que mostrou um aumento de 4.800 para 5.326 felinos em seis anos.

13 de fevereiro de 2026
Daniel Francisco
5 min. de leitura
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Foto: Gerardo Ceballos

A Aliança Nacional para a Conservação da Onça-Pintada (ANCJ) realizou o Terceiro Censo Nacional da Onça-Pintada no México em 2024 para avaliar o estado das populações de onça-pintada e fortalecer as estratégias de conservação. Este felino ( Panthera onca ), o maior das Américas, é uma espécie fundamental para avaliar a saúde dos ecossistemas que habita.

As 30 instituições que trabalham no censo têm entre suas responsabilidades a educação ambiental, tarefas de conservação de ecossistemas e a mitigação de conflitos com pecuaristas.

Os resultados concluíram que a população aumentou de 4.100 em 2010 para 4.800 em 2018 e 5.326 em 2024. O censo de 2024 mostrou que as regiões com o maior número de onças-pintadas são a Península de Yucatán (1.699) e o Pacífico Sul (1.541), seguidas pelo Pacífico Norte (733), Nordeste e Centro do México (813), bem como a Costa do Pacífico Central (540).

O censo indica que o aumento populacional de aproximadamente 10% em seis anos é significativo. No entanto, serão necessárias pouco mais de três décadas para que a população atinja 8.000 indivíduos, o número desejado para que a espécie seja retirada da lista de espécies ameaçadas de extinção.

O México é pioneiro na preservação desse felino, afirmou Gerardo Ceballos, diretor do Laboratório de Ecologia e Conservação da Vida Selvagem do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), em entrevista. Seu laboratório, especificou, é a espinha dorsal da Aliança Nacional para a Conservação da Onça-Pintada.

O professor universitário é o presidente da Aliança e, por meio de suas atividades científicas e de pesquisa na Universidade, é responsável por sua organização. Seu laboratório realiza estudos sobre a ecologia, a atividade e o movimento do animal.

O censo reflete o impacto das ações de conservação implementadas nas últimas décadas, incluindo o estabelecimento de novas áreas naturais protegidas, a manutenção de corredores biológicos e a participação das comunidades locais.

No entanto, os desafios persistem: a alarmante perda e fragmentação do habitat, bem como os conflitos humanos, entre outros.

O censo fornece uma base sólida para orientar políticas públicas, desenvolver esforços de conservação e promover a educação ambiental. Preservar a onça-pintada é uma responsabilidade coletiva, e o futuro da espécie depende da colaboração contínua entre a sociedade civil, os setores público e acadêmico e as comunidades rurais.

Este esforço nacional, realizado em colaboração com especialistas e comunidades locais, empregou metodologias científicas como o uso de armadilhas fotográficas e a análise espacial dos dados obtidos em cada local de amostragem em toda a área de distribuição da espécie.

Os 23 locais de amostragem estavam localizados em 16 estados, cobrindo uma área de 18.000 hectares (180 km²) por local, totalizando 414.000 ha (4.140 km²).

Ceballos considerou os resultados muito bons em termos de aumento populacional: “No entanto, a onça-pintada continua em perigo de extinção, porque 5.300 indivíduos ainda são muito poucos para uma área como o México. Estima-se que talvez no início do século XX houvesse 20.000 ou 25.000.”

Em outras palavras, ele observou: “Estamos longe das populações que tínhamos antes, mas o que vimos ainda é uma grande conquista. Se as tendências atuais continuarem, poderemos dobrar a população em cerca de 30 anos. Mas isso é muito tempo para nós. Temos que tentar dobrar esse número nos próximos 10 ou 15 anos.”

No entanto, essa espécie permanece ameaçada de extinção; portanto, os desafios persistem, como a alarmante perda e fragmentação do habitat, bem como os conflitos humanos.

A política fundamental do México para a conservação da onça-pintada tem sido priorizar áreas naturais protegidas e aquelas que, embora não sejam oficialmente protegidas, possuem boa cobertura vegetal, explicou ele. “É por isso que tantos esforços têm sido feitos para preservar o habitat da onça-pintada e estabelecer políticas de conservação em nível nacional. Mas a maioria das reservas e áreas onde as onças-pintadas vivem são de propriedade privada. Portanto, os ambientalistas trabalham intensamente com comunidades rurais e proprietários de terras.”

Uma ação fundamental é garantir que os proprietários de terras recebam benefícios pela manutenção de suas florestas e bosques. Eles devem receber incentivos financeiros para conservá-los.

Além disso, o tráfico ilegal está sendo combatido. Por exemplo, ele citou: “Há um acordo recente entre a Aliança, a Procuradoria-Geral da União para a Proteção do Meio Ambiente e a Meta, no qual esta última concordou que o Facebook e o Instagram removerão todas as páginas em suas plataformas que anunciam a venda de onças-pintadas, suas presas, peles, etc. Mais de 500 páginas já foram removidas nos últimos dois meses.”

Princípio orientador

Com relação à abertura de novas reservas, eles trabalharam com a Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas e, entre 2023 e 2024, conseguiram estabelecer três milhões e meio de hectares de novas áreas protegidas para a onça-pintada.

O esforço fundamental, o princípio orientador da conservação, tem sido proteger o habitat da onça-pintada, destacou Ceballos. Ele enfatizou: “Nossa contribuição é colocar a ciência a serviço do país para fornecer soluções. Esses estudos não teriam sido possíveis sem a universidade pública, sem os estudos que realizamos sobre a onça-pintada nos últimos 25 anos. Em meu laboratório, fazemos ciência básica da mais alta qualidade do mundo.”

A universidade oferece um espaço de liberdade, afirmou ele, “onde você pode escolher o que estudar e como estudar. Você define o que estudar, essa é a sua missão.”

Ciência para a tomada de decisões

A UNAM apoia a tomada de decisões; “ou seja, as melhores decisões que podem ser tomadas em questões ambientais devem ter uma base científica sólida, não há outra maneira. E este é um papel que a Universidade desempenha. Nos momentos de maior caos, de grandes problemas, é quando a vocação desta instituição se torna mais importante”, afirmou.

Seu valor se demonstra de forma mais concreta em tempos de tempestade: “e estes são tempos tempestuosos para o país e para o planeta, em termos ambientais, políticos, sociais e econômicos.”

Quanto mais tempo se tem para investigar e analisar a riqueza de informações geradas, mais “se pode resolver questões e problemas de magnitude muito maior”.

As atividades da ANCJ foram financiadas por instituições como a UNAM, a Telcel, a Fundação Slim, a Fundação BBVA, a Telmex e a Simifarmacias. O censo de 2024 foi financiado principalmente pela Telcel e contou com o apoio das instituições coordenadoras em cada região avaliada.

Traduzido de Gaceta UNAM.

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