Os ferryboats emitem mais dióxido de carbono do que 6,6 milhões de carros e são responsáveis por mais poluição por óxidos de enxofre do que todos os carros em grandes cidades europeias, como Barcelona, Dublin e Nápoles.
A conclusão é de um estudo da organização não-governamental Transport & Environment (T&E), no qual os especialistas dizem que a frota europeia de cerca de dois mil barcos passa mais de 60% do tempo a menos de cinco milhas náuticas de áreas portuárias densamente povoadas. Dessa forma, contribuem “significativamente”, apontam, para a poluição do ar junto à costa e emitem 15,3 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa.
Contudo, há uma solução. A análise da T&E defende a eletrificação dos ferryboats na Europa, argumentando que é uma “alternativa competitiva” face aos combustíveis fósseis, pois os barcos têm menores dimensões e rotas previsíveis. Estimam os autores deste trabalho que 60% dos ferryboats existentes podem passar a ser movidos a baterias elétricas até 2035 e que para 52% desses conseguir-se-ão poupanças financeiras pela troca dos combustíveis fósseis pela eletricidade.
Uma mistura entre eletrificação e modos híbridos já seria suficiente para reduzir as emissões de dióxido de carbono dos ferries em 42% e melhorar a qualidade do ar nas cidades portuárias e também reduzir custos operacionais.
“Com a idade média dos ferries na Europa de 26 anos, agora é a altura para uma renovação limpa”, diz a T&E.
Dos 1.043 ferryboats analisados na Europa, só em 2023 emitiram 13,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono, revela a análise, o equivalente às emissões de 6,6 milhões de carros durante um ano. Barcelona é a cidade portuária europeia com emissões de dióxido de carbono mais elevadas geradas por ferryboats, e a poluição por óxidos de enxofre dos ferries é 1,8 vezes maior do que todos os carros dessa cidade.
“Os ferries deveriam ligar comunidades, não poluí-las”, diz Felix Klann, técnico de políticas de transporte marítimo da T&E.
“Demasiados ferries estão a queimar combustíveis fósseis, injetando ar tóxico nas cidades portuárias da Europa. Eletrificá-los poderá reduzir drasticamente as emissões e levar um sopro de ar fresco a milhões de pessoas”, acrescenta.
Diz a organização que ferryboats elétricos estão a começar a aparecer pela Europa, prova de que são comercialmente viáveis em muitos casos. A principal barreira, reconhece, à expansão dos ferries elétricos tem a ver com a infraestrutura de carregamento, mas diz a T&E que 57% dos portos precisariam apenas de pequenas estações de carregamento abaixo dos cinco megawatts para operarem ferries elétricos.
“A eletrificação faz sentido do ponto de vista económico. Os ferries elétricos são já mais baratos de operar em muitas rotas e, nos próximos anos, mais tornar-se-ão competitivos em termos de custos”, salienta Klann.
Fonte: Green Savers