EnglishEspañolPortuguês

'TEATRO DO HORROR'

Polícia apreende adolescente apontado como líder de grupo que transmitia tortura e morte de animais ao vivo nas redes sociais

Investigações apontam que sessões de sadismo eram organizadas em aplicativos de conversa, com participação de espectadores que incentivavam a violência em tempo real.

4 de fevereiro de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
A-
A+
Foto: Divulgação/PCES

Um adolescente de 16 anos foi apreendido pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), hoje (04/02), suspeito de liderar uma organização criminosa que produzia e divulgava conteúdos de extrema violência contra animais nas redes sociais. A operação, batizada de “Desconectado”, cumpriu mandado de busca e apreensão no bairro Jardim Limoeiro, em Serra, e investiga uma rede virtual que transformava maus-tratos e tortura animal em espetáculo transmitido ao vivo para espectadores.

Segundo a corporação, os crimes contra animais eram parte central das atividades do grupo, que também é investigado por produção e difusão de pornografia infantojuvenil, apologia ao nazismo, ameaças virtuais e indução sistemática à automutilação e ao suicídio, principalmente entre crianças e adolescentes.

Crueldade animal transmitida como espetáculo

De acordo com as investigações, os envolvidos atuavam principalmente em aplicativos como Discord e Telegram, onde promoviam sessões ao vivo descritas pela polícia como um verdadeiro “teatro do horror”. Nessas transmissões, animais domésticos eram mutilados e mortos enquanto espectadores incentivavam a violência em tempo real.

Para a PCES, a crueldade contra animais era tratada pelo grupo como forma de entretenimento e mecanismo de choque para atrair público e fortalecer vínculos dentro da comunidade virtual. Esse tipo de conteúdo não apenas vitimiza os animais de forma direta, mas também contribui para a banalização da violência e para o fortalecimento de redes extremistas e criminosas.

As apurações indicam que as ações do grupo fizeram vítimas em diversas regiões do país. Os ambientes virtuais eram utilizados para incentivar comportamentos violentos, incluindo maus-tratos a animais e automutilação, com foco em públicos jovens e vulneráveis.

Exploração, chantagem e violência psicológica

Foto: Divulgação/PCES

Além dos crimes contra animais, a polícia aponta que o grupo promovia a distribuição massiva de material de abuso sexual infantil (child sexual abuse material). Os integrantes também utilizavam ameaças de vazamento de dados pessoais, prática conhecida como doxing, para coagir vítimas a participarem de rituais de degradação física e psicológica transmitidos online.

As vítimas seriam, em sua maioria, crianças e adolescentes. A polícia afirma que os conteúdos violentos e a manipulação psicológica eram usados como ferramentas de controle e recrutamento dentro da organização.

A operação foi considerada urgente após a descoberta de que o adolescente apreendido teria papel relevante na tentativa de reativar o chamado “desafio Baleia Azul”, sequência de 50 tarefas que induzem progressivamente à automutilação e culminam no suicídio da vítima.

Durante a ação, foram apreendidos computadores, celulares e dispositivos de armazenamento, que passarão por perícia para aprofundar as investigações e identificar outros envolvidos na rede criminosa.

Responsabilidade das plataformas

O Telegram afirmou que conteúdos que incentivem violência contra animais são proibidos pelos termos de serviço e que moderadores, com apoio de ferramentas de inteligência artificial, monitoram áreas públicas da plataforma e removem materiais prejudiciais diariamente. O Discord ainda não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

A existência de redes que lucram ou ganham notoriedade com tortura animal reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa nas plataformas digitais e de políticas públicas voltadas à prevenção da violência online.

As investigações seguem em andamento.

    Você viu?

    Ir para o topo