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POLUIÇÃO

Petrobras paralisa perfuração na Foz do Amazonas após vazamento de 15 mil litros de fluido

7 de janeiro de 2026
2 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Greenpeace

A perfuração do bloco 59 da bacia Foz do Amazonas registrou um vazamento no último domingo (04/01), e as atividades em busca de petróleo no local foram paralisadas temporariamente pela Petrobras, por segurança. Segundo pessoas que acompanham a operação, o acidente aconteceu com um fluido injetado na operação da sonda perfuradora, em duas linhas (tubulações) auxiliares, e não se trata de um escape de petróleo.

Procurada, a estatal afirmou que o produto “atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas”. A Petrobras estima que vazaram quase 15 m³ (15 mil litros) deste produto no mar e comunicou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo”, completa a empresa, que afirma ainda que tanto a sonda quanto o poço não sofreram nenhuma consequência do ocorrido e que a operação deve prosseguir normalmente.

Segundo uma pessoa que acompanha a evolução do empreendimento, a perfuração está atualmente por volta da metade do caminho até atingir o poço, e ainda não chegou ao petróleo.

O Ibama autorizou a perfuração de poço na Foz do Amazonas, bacia que integra a chamada margem equatorial do país, em outubro do ano passado, após anos de embates pela licença. A exploração de petróleo na bacia Foz do Amazonas dividiu o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O projeto foi muito criticado por ambientalistas e pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, mas foi defendido por pastas como a de Minas e Energia, por parlamentares da base, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e pelo próprio Lula.

Após mais de uma década de análises, o Ibama liberou a perfuração às vésperas da COP30, a conferência sobre clima das Nações Unidas que aconteceu em Belém (PA).

De acordo com o relatório técnico da Petrobras, a ocorrência com o “fluído sintético de perfuração” foi registrada às 3h23 do último dia 4.

A equipe da Petrobras notou uma queda de pressão, mas como não não identificou nenhum vazamento na superfície, acionou uma sonda mergulhadora, que então encontrou o problema em uma “uma conexão entre duas juntas” de circulação a aproximadamente 2,7 km de profundidade.

As linhas auxiliares, segundo técnicos, são essenciais para controle e segurança da operação de perfuração. Essas tubulações correm paralelas à coluna de perfuração principal e garantem segurança em caso de um refluxo de fluidos durante a perfuração.

Por exemplo, caso durante a atividade ocorra uma entrada de óleo ou gás indesejada, esse fluido sintético é usado para empurrar este conteúdo de volta e balancear a pressão de toda a operação, evitando um vazamento grande.

De acordo com uma pessoa que também acompanha as atividades, esse produto também é usado para resfriamento e lubrificação da sonda perfuradora.

Fonte: Revista Cenarium

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