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ESTUDO

Pesquisadores brasileiros identificam espécies de árvores mais resistentes às mudanças climáticas e à poluição

Agora, pesquisadores do laboratório do Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo querem descobrir quais espécies têm maior capacidade de limpar o ar.

2 de abril de 2025
3 min. de leitura
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Foto: Reprodução/TV Globo

Pesquisadores brasileiros conseguiram identificar espécies de árvores mais resistentes às mudanças climáticas e à poluição.

Sombra e ar fresco. Nesses dias cada vez mais quentes, correr para debaixo de uma árvore é, muitas vezes, questão de necessidade. Olhando do meio delas não dá para saber qual é mais resistente ao calor excessivo, nem à poluição. Marisa Domingos coordena um trabalho do Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo que descobriu seis espécies de árvores da Mata Atlântica resistentes ao ar poluído e às mudanças climáticas.

“A gente pretendeu contribuir com o critério adicional de escolha de espécies para reflorestamento em áreas urbanas ou arborização urbana ou plantio em parque, criação de parques ou cinturões verdes. Com a possibilidade de escolher espécies que tenham uma chance maior de sobreviver em um ambiente onde você já tem essas perturbações conhecidas”, diz Marisa Domingos, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo.

Uma delas é a camboatã, que garante muita sombra e é uma das mais resistentes à poluição. Segundo Ricardo Nakasato, idealizador da pesquisa, ela é ideal para arborizar grandes cidades.

“Ela é uma espécie que tem clorofila, teor de clorofila mais alto. Ela tem um teor de ácido ascórbico ou vitamina C mais alto. Ela também consegue acumular mais elementos tóxicos na sua folha e, também, ela tem uma folha um pouco mais espessa. As características que a gente tem fisiológicas e bioquímicas que dão essa característica para ela de tolerante”, explica o professor da Universidade de Guarulhos Ricardo Nakasato.

Para chegar a esse resultado, durante dois anos de trabalho, os pesquisadores tiveram de entrar em diferentes pontos da Mata Atlântica. Foram quatro florestas fechadas para coletar amostras das árvores. Foram 300 amostras de 29 espécies diferentes, em épocas distintas do ano. Algumas no verão, outras no inverno, justamente para compreender qual a interferência do clima nas plantas.

“A gente congela um pedaço dessa amostra no nitrogênio líquido que vai garantir que ela fique preservada a menos 170º C. Mantém as mesmas condições do mesmo momento que a gente coletou”, conta Ricardo Nakasato.

Agora, os pesquisadores querem descobrir quais espécies têm maior capacidade de limpar o ar.

“A gente vai conseguir responder melhor com esses novos estudos que a gente está fazendo, buscando novos marcadores que nos indiquem melhor se uma espécie sequestra melhor carbono do que outras, se ela remove poluentes da emissão veicular melhor do que outras. Se nós introduzirmos árvores que possam tolerar esses estresses, aí nós estaremos fazendo um grande benefício para a população”, afirma Marisa Domingos.

Fonte: G1

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