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DENÚNCIA

Peles de burro alimentam crime global: comércio encobre tráfico de animais silvestres, drogas e armas

Diretrizes internacionais e investigações acadêmicas mostram o uso de plataformas digitais, rotas logísticas convencionais e brechas legais como pilares da expansão desse mercado ilícito.

22 de março de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: The Donkey Sanctuary

O transporte internacional de peles de burro tem se consolidado como uma engrenagem central de exploração animal e criminalidade, sendo utilizado para encobrir o tráfico de espécies silvestres, armas, drogas e até partes humanas, enquanto expõe milhões de animais a sofrimento extremo e agrava riscos sanitários globais.

O comércio de peles de burro, impulsionado pela crescente demanda por ejiao, tem avançado sobre diferentes países com pouca fiscalização e alta lucratividade. A atividade se tornou um canal estratégico para redes criminosas internacionais.

Investigações conduzidas pela The Donkey Sanctuary em parceria com a Saïd Business School e a Wildlife Conservation Research Unit (WildCRU) revelam que o comércio de peles está diretamente ligado ao tráfico de animais silvestres e ao crime organizado. A conexão foi identificada ainda em 2016, quando vendedores passaram a ofertar peles de burro junto a produtos ilegais em plataformas online.

Desde então, o cenário se agravou. Com a disparada no preço das peles, comerciantes passaram a buscar fornecedores “a qualquer custo”, ampliando redes ilegais e incentivando práticas violentas contra os animais. Burros são mortos em condições precárias, sem qualquer controle sanitário.

Além da crueldade, o transporte dessas peles se tornou um método recorrente para ocultar cargas ilícitas. Entre os itens já identificados em conjunto com remessas estão chifres de rinoceronte, marfim, escamas de pangolim, drogas como cocaína e metanfetamina, ouro, diamantes, passaportes falsos e até partes do corpo humano. Também foram registrados casos envolvendo venenos e animais marinhos de espécies ameaçadas.

A estrutura logística desse comércio, que utiliza rotas aéreas e marítimas convencionais, facilita a circulação global dessas mercadorias ilegais. Rótulos vagos e documentação ambígua são usados para driblar a fiscalização, mostrando as falhas sistêmicas e brechas legais exploradas por traficantes.

Diante desse cenário, a interrupção imediata do transporte de peles de burro é uma medida urgente para frear tanto a exploração animal quanto as redes criminosas associadas. Em resposta, organizações têm desenvolvido diretrizes operacionais voltadas a setores de aviação e transporte marítimo, com o objetivo de ajudar profissionais a identificar cargas suspeitas e impedir o avanço dessa cadeia ilegal.

Ainda assim, enquanto houver demanda e lacunas na regulação, os burros continuarão sendo vítimas de um sistema que lucra com sofrimento e ilegalidade em escala global.

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