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PRESERVAÇÃO

Pássaros realizam papel fundamental na manutenção dos ecossistemas

A extinção desses animais poderia impactar a todos os seres humanos

10 de janeiro de 2022
Beatriz Silva | Redação ANDA
6 min. de leitura
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Pássaro azul oriental. | Foto: Ilustração/Pixabay

Em um mundo sem pássaros, se todos eles tivessem sido extintos, a maioria dos seres humanos consideraria uma manhã de primavera sem aves cantando ou a ausência notável dessas criaturas cruzando o céu. Para quem já testemunhou o nascimento de uma pássaro, seria uma imagem para amar e ao mesmo tempo lamentar, se o mundo ficasse sem a presença desses animais.

Agora, se considerar essa situação a partir da perspectiva de um ornitólogo, ou um cientista, por exemplo, além de sentir falta do som e do milagre de nascimento dos pássaros, eles também seriam consumidos por pensamentos sobre a perda ambiental que a extinção deles significaria, e o impacto dessa situação no ecossistema.

A extinção dos pássaros ou a sua diminuição significativa representaria muito mais que uma manhã tranquila de primavera ou a ausência de lindos filhotes. A vida humana junto com a vida selvagem iria mudar para sempre. Por isso, precisamos entender a importância deles para o todo.

Aves selvagens realizam serviços ao meio ambiente que muitos dos seres humanos não têm noção e vivemos como se isso já fosse garantido. O nome disso é serviço ecossistêmico, um conjunto de infinitos benefícios que a natureza entrega à sociedade.

Entre esses benefícios, estão o controle de pragas, espalhar sementes e a polinização, elementos necessários para a produção de alimentos e outras atividades. Por viajarem pelo céu, esses animais servem como uma ligação móvel da qual os organismos vivos dependem no mundo inteiro. Também é um importante papel dos pássaros a limpeza de carcaças, ainda que esse aspecto não seja muito falado.

Muitas aves se alimentam primariamente de insetos, o que já se provou ser um grande benefício para as safras e árvores, já que insetos costumam infestar esses dois. De acordo com o One Green Planet, na Holanda, por exemplo, os pássaros que comem insetos ajudam a proteger os pomares de maçã.

Enquanto isso, na Califórnia, no Condado de Napa, os pássaros azuis orientais se alimentam de insetos que poderiam causar a doença de Pierce, destruindo a área agrícola e suas colheitas.

Segundo o Centro de Ciência Ambiental da Universidade de Indiana, 92% das espécies de árvores lenhosas são dispersas pelos pássaros. Se multiplicarmos a quantidade de aves que espalham sementes, percebemos a tarefa essencial que está sendo realizada.

Outro papel essencial é o da polinização, que é realizado junto com as borboletas. Segundo o Centro de Ciência Ambiental da Universidade de Indiana, até 5% de 1500 safras economicamente importantes, assim também como plantas medicinais, são polinizadas por pássaros.

Enquanto como uma conexão com os organismos vivos e não vivos, os pássaros cumprem o papel perfeito viajando de um habitat para outro, como por exemplo as aves migratórias que transportam nutrientes de uma parte do país para outra, ou como no caso da Andorinha-do-Mar-Ártico, que leva os nutriente de um polo para o outro.

O trabalho menos glamoroso, também é papel deles. Quando um animal morre e continua intacto, no caso de uma morte natural como um afogamento por exemplo, é papel de aves como abutres, urubus ou condor, rasgar a pele e iniciar o processo de limpeza até restarem somente os ossos. Sem isso, o mundo teria muito mais doenças.

E se de fato não existissem mais pássaros? Como esses serviços ecossistêmicos seriam feitos? É difícil saber com certeza, mas ou não seriam feitos ou ficariam a cargo de outro membro do ecossistema. A preocupação seria se de fato eles não fossem realizados. Sem aves, não há controle de pragas, e muitas plantas seriam destruídas, causando impacto econômico as comunidades, além de fazer os agricultores usarem pesticidas mais fortes, o que degradaria ainda mais os alimentos. O resultado seria o reflorestamento não acontecendo da forma que deveria, sem ajuda dos pássaros.

Sem eles, os 5% de polinização também não aconteceriam, tendo menos safras e plantas medicinais, que são economicamente importantes. Além disso, a conexão feita pelos pássaros não existiria mais. Logicamente pode-se prever que haveria pelo menos algum impacto. Assim como as carcaças de animais que se espalhariam, com um odor fétido, permitindo que outros animais assumissem o papel da limpeza, como ratos e cães, e criando novos problemas.

Aves como abutres, urubus e condores, ajudam a limpar as carcaças dos bichos mortos e evitam mais doenças. | Foto: Ilustração/Pixabay

Os pássaros podem mesmo ser extintos? Você já deve ter ouvido falar sobre o Dodô, que viveu nas Ilhas Maurício e foi visto pela última vez em 1681, sendo extinto no final do século 17. A causa da extinção do Dodô foi humana. Invadindo a única casa desta ave, caçando, tomando seu habitat, e levando predadores não naturais como porcos, gatos e macacos que também caçaram a ele e aos seus ovos. O Dodô não foi o primeiro e último pássaro a ser extinto.

A IUCN, União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, teve a missão de catalogar espécies de animais e plantas no mundo inteiro, avaliando por cada risco de extinção e fazendo uma compilação chamada de “Lista Vermelha”.

Existem muitos fatores que passam pelas mãos dos seres humanos e que podem levar os pássaros à extinção, incluindo a perda de habitat, a caça, a colisão dos pássaros com vidros e a introdução de espécies invasoras. É claro que também existem formas de proteger esses animais. Há problemas que não podem ser controlados por nós, como as mudanças climáticas e a construção de prédios altos, mas podemos observar os pássaros, procurando saber mais sobre as espécies e envolvendo os familiares e amigos. Outro ponto é apoiar as políticas favoráveis as aves, que garantem que seja ilegal matar, capturar, transportar, ou vender certas espécies, sem autorização.

Os dodôs foram vistos pela última vez nos anos 1600, castigados pela ação humana. | Foto: Ilustração/Pixabay

Para realizar mudanças efetivas não é necessário ser um ativista. Pode-se começar com simples atos, como estar atento a legislação e políticas favoráveis aos pássaros e a preservação do seu habitat. Ajude a sua comunidade nos esforços de observação, assim como também é importante manter seus gatos de estimação dentro de casa, já que eles possuem o instinto natural de caçar. Também é ideal ser orgânico, evitando o uso de pesticidas em seu quintal e grama. Se você matar os insetos, não sobrará nenhum para os pássaros comerem, ou talvez, pode causar um envenenamento. A pulverização das árvores com pesticidas também pode levar aos mesmos problemas.

E se for possível, faça uma doação às organizações que lutam pela conservação de pássaros selvagens. Nós precisamos deles e eles de nós. Eles realizam seus serviços ecossistêmicos, e precisam ser protegidos principalmente dos seres humanos. A conscientização é o primeiro passo.

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