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AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO

Países propõem adicionar mais 42 espécies migratórias a convenção internacional para proteção urgente

Entre as espécies propostas estão as hienas-raiadas, as corujas-das-torres, os tubarões-martelo e as lontras-gigantes.

27 de janeiro de 2026
Filipe Pimentel Rações
3 min. de leitura
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Hiena-raiada. Foto: Kandukuru Nagarjun / Wikimedia Commons (licença CC BY 2.0)

Os países signatários da Convenção das Nações Unidas sobre a Conservação de Espécies Migradoras de Animais Selvagens (CMS, em inglês), querem adicionar 42 espécies ao documento que consideram precisar urgentemente de ações internacionais de conservação.

No próximo mês de março, entre os dias 23 e 29, decorrerá no município de Campo Grande, no Brasil, a 15.ª conferência das partes da CMS, a COP15, durante a qual os representantes dos vários Estados apresentarão propostas para alterar os apêndices da convenção, que determinam o nível de proteção conferida a essas espécies migradoras.

O Apêndice I inclui espécies que estão classificadas como ameaçadas de extinção, enquanto o Apêndice II integra espécies que, embora não ameaçadas, merecem a atenção da comunidade internacional para se poder evitar esse destino.

Em comunicado, o secretariado da CMS divulgou a lista das 42 espécies que os países querem incluir nos apêndices da convenção, que englobam mamíferos terrestres, aves e espécies aquáticas.

Entre as espécies propostas estão as hienas-raiadas (Hyaena hyaena). Esses animais podem ser encontradas numa ampla área, do norte de África até ao Médio Oriente e a Península Arábica, com uma população global estimada de não mais do que 10.000 indivíduos.

No entanto, e apesar de na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza estar classificada como “Quase Ameaçada”, a hiena-raiada enfrenta uma série de ameaças: perda de habitat, redução da quantidade de presas, caça e captura ilegais e conflitos com humanos.

Enquanto necrófagas, as hienas-raiadas, tal como outros elementos desse grupo de animais, são fundamentais para a reciclagem de nutrientes, para manter os ecossistemas saudáveis e para evitar surtos de doenças.

Outra das espécies visada nas propostas é a coruja-das-neves (Bubo scandiacus), classificada com o estatuto global de “Vulnerável”. Catapultada para a fama à boleia de fenómenos cinematográficos como a saga “Harry Potter”, essa ave perdeu um terço da sua população global nos últimos 30 anos, e em dezembro passado foi declarada regionalmente extinta na Suécia.

Predadoras de topo, as corujas-das-neves são ícones da tundra ártica e servem de indicador da saúde desse frágil ecossistema. As alterações climáticas estão entre as principais ameaças a essas aves.

Quanto às espécies aquáticas, a lontra-gigante (Pteronura brasiliensis), também conhecida por ariranha ou onça-d’água, o tubarão-martelo-gigante (Sphyrna mokarran) e várias outras espécies de tubarões fazem parte da lista de propostas que serão apresentas em março na COP15.

Em sentido inverso, surge uma proposta para retirar uma espécie de cervídeo do Apêndice I, avançada pelo governo do Uzbequistão. Trata-se do Cervus elaphus yarkandensis, uma subespécie do veado-vermelho, que, segundo o secretariado da CMS, conseguiu recuperar graças a esforços de conservação de longo-prazo que permitiram a recuperação sustentada a subespécie.

Contudo, esse veado permanecerá no Apêndice II e sob proteção nacional no Uzbequistão.

“À medida que se intensificam as pressões sobre as espécies migradoras do nosso planeta, nunca foi tão essencial que o compromisso internacional para se tomar medidas eficazes”, diz Amy Fraenkel, secretária-executiva da convenção.

“As propostas para listar 42 novas espécies nos apêndices da CMS, incluindo animais icónicos como a coruja-das-neves e o tubarão-martelo, refletem a necessidade urgente de uma ação global coordenada. Na COP15, os governos têm a oportunidade para reforçar os esforços para salvaguardar essas espécies”, salienta a responsável.

Fonte: Greensavers

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