A operação em Campo Belo também levanta dúvidas sobre fiscalização, transparência e responsabilidade social na indústria da carne. Para além do risco sanitário, o caso mostra como o assassinatos de animais é realizado longe dos olhos do público, até que uma denúncia ou uma ação policial revele o que muitos preferem não ver.
Uma operação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) descobriu um cenário descrito por autoridades como “extremamente insalubre” em uma fazenda na zona rural de Campo Belo (MG). No local, foram apreendidos 800 kg de carne e encontrados restos de cavalos, pôneis e asnos mortos brutalmente.
Ao chegar à propriedade rural, as equipes encontraram um verdadeiro cemitério de animais. Espalhados pelo terreno estavam cabeças, cascos, vísceras e carcaças em decomposição, descartados diretamente no solo, em meio a sangue e detritos, a face mais crua de uma indústria que transforma os animais em alimento.
Segundo a PMMG, a fiscalização fazia parte de uma operação de combate a crimes contra a saúde pública. A investigação revelou que o local funcionava como um centro de matança e distribuição de carne de equídeos, sem qualquer tipo de controle sanitário, rastreabilidade ou fiscalização oficial. A carne já estava processada, embalada e armazenada em cinco freezers de grande porte, pronta para ser comercializada.
Peritos da Polícia Civil, fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e agentes da Vigilância Sanitária foram acionados para apoiar a operação. De forma unânime, classificaram o ambiente como “extremamente insalubre”. Toda a carga apreendida foi imediatamente inutilizada e descartada para evitar qualquer possibilidade de consumo humano.
O principal investigado é o proprietário da fazenda, que já possui histórico criminal por matança de animais e é considerado reincidente. Ele fugiu antes da chegada das viaturas e segue foragido.
Casos como esse mostram a lógica de exploração que sustenta o consumo de carne, onde animais são tratados como produtos e a violência contra seus corpos é sistematicamente invisibilizada. Embora o flagrante tenha ocorrido em um matadouro clandestino, o sofrimento e a objetificação dos animais não são exclusividade da clandestinidade, mas elementos estruturais da indústria da carne.