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MAUS-TRATOS

Operação em SC desmonta organização criminosa de tortura a animais com 40 homens

Investigação de um ano em Governador Celso Ramos identifica rede de financiadores e organizadores da Farra do Boi; indiciados podem pegar até quatro anos de prisão

19 de março de 2026
Matheus Bastos
2 min. de leitura
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Foto: PCSC/Divulgação

Uma extensa investigação da Delegacia de Proteção Animal resultou no indiciamento de 40 homens por maus-tratos a animais e associação criminosa em Governador Celso Ramos. A motivação é a prática da Farra do Boi, em que animais são perseguidos, agredidos e torturados sob o pretexto de tradições açorianas.

Além do rito religioso, o período da Quaresma em Santa Catarina é marcado pelo aumento desses casos, especialmente em áreas litorâneas, sendo a prática duramente reprimida pelas autoridades.

Inteligência policial contra a logística da Farra do Boi

A operação da Polícia Civil realizou um trabalho de inteligência que quebrou o anonimato dos eventos e superou a dificuldade de acesso aos locais.

Normalmente, as abordagens relacionadas à Farra do Boi responsabilizam apenas os flagrados no ato. Desta vez, o foco foi a cadeia logística. Por mais de um ano, imagens e quebras de sigilo de dados telefônicos foram analisadas, vinculando 22 episódios criminosos.

Organizadores, financiadores, transportadores e vendedores dos bois foram identificados. Foram revelados grupos de arrecadação de fundos para a compra de animais e o pagamento de advogados e multas administrativas.

Os envolvidos respondem por maus-tratos e associação criminosa, com penas que podem chegar a quatro anos de prisão. Na esfera administrativa, as multas variam entre R$ 10 mil para participantes e R$ 20 mil para organizadores de cada ocorrência.

Fiscalização rigorosa da Farra do Boi e Operação Quaresma em SC

A “Operação Quaresma”, da PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), iniciada em 24 de fevereiro, é outra ação estratégica para impedir a prática. Com foco em prevenção, a fiscalização se estende até o dia 5 de abril em cidades como Florianópolis, São José, Balneário Camboriú e Tubarão.

Segundo o Tenente Sami de Medeiros Sartor, a corporação segue vigilante, destacando que, no último ano, o trabalho preventivo resultou em apenas seis ocorrências na região metropolitana. Quem promove ou divulga a atividade pode ser multado em R$ 1 mil.

Contexto e histórico da proibição da Farra do Boi

Embora defendida por participantes como tradição açoriana, a Farra do Boi é crime no Brasil desde 1998, sob a Lei nº 9.605/1998, que tipifica abusos e maus-tratos. A prática, proibida há quase três décadas, gera sofrimento físico extremo ao animal. A operação ocorre de forma integrada com a Cidasc e a Vigilância Sanitária.

A Polícia Militar orienta que qualquer cidadão que presencie movimentações suspeitas denuncie imediatamente através do número 190.

Fonte: ND Mais

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