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SEQUÊNCIA DE ATAQUES

Onda de violência contra cães mostra falha na proteção de animais no Brasil

Casos recentes incluem agressões, disparos de arma de fogo e ações policiais, com animais mortos ou feridos e falta de respostas das autoridades.

28 de janeiro de 2026
Redação ANDA
7 min. de leitura
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Cão Abacate,morto no Paraná. Foto: Divulgação

Uma sequência recente de assassinatos e ataques brutais contra cães em diferentes estados do Brasil mostra uma onda preocupante de violência contra animais, muitos deles comunitários. Os casos, ocorridos em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, são fruto da fragilidade dos animais e da resposta insuficiente do Estado diante de crimes que, apesar de previstos em lei, seguem marcados pela impunidade.

Caso Orelha

Foto: Arquivo pessoal

Em Florianópolis (SC), a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, se tornou o maior representante dessa escalada. O cachorro era cuidado por moradores da região quando foi gravemente agredido no início de janeiro.

As lesões foram tão severas que não houve alternativa terapêutica, e Orelha precisou ser submetido à eutanásia. Quatro adolescentes são suspeitos de envolvimento no crime, que segue sob investigação da Polícia Civil.

O Caramelo, outro cão comunitário amigo de Orelha, também foi levado ao mar pelo mesmo grupo de jovens. O cachorro conseguiu escapar e foi encontrado sem ferimentos, mas o caso mostra o padrão de violência direcionada a animais indefesos, tratados como descartáveis mesmo quando protegidos pela comunidade.

A morte de Orelha ultrapassou fronteiras e ganhou repercussão internacional, mobilizando veículos de imprensa, organizações de proteção animal e ativistas nos Estados Unidos. O caso foi noticiado em sites estrangeiros e passou a ser acompanhado por defensores dos direitos animais fora do Brasil, que passaram a cobrar responsabilização dos envolvidos e transparência nas investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras.

O jornalista e ativista norte-americano Paul Mueller, publicou um texto em seu Facebook sob o título “Search for justice unites Brazil and U.S. animal advocates for beloved beach dog” (“Busca por justiça une defensores dos animais do Brasil e dos EUA por cão de praia querido”). Na publicação, Mueller relata que amantes de animais dos dois países se uniram após a morte brutal de Orelha, descrito como um cão comunitário conhecido e querido por moradores e visitantes da Praia Brava. O texto explica o caso e destaca que o cão era visto como uma presença gentil e familiar na região, e que sua morte causou comoção profunda na comunidade local.

O cantor norte-americano Jimmy Levy também se manifestou nas redes sociais. Ele publicou um vídeo pedindo que os responsáveis pela morte de Orelha enfrentem consequências legais. Na legenda, Levy afirmou: “Como americano, estou pedindo à administração dos Estados Unidos que expulse as crianças responsáveis pela morte de Orelha para que a justiça possa ser feita”. A declaração foi compartilhada por ativistas e perfis ligados à causa animal, ampliando a pressão internacional sobre o desfecho do caso.

 

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Um post compartilhado por Jimmy Levy (@jimmylevy)

O ator Paul Wesley, que ficou famoso por seu papel em The Vampire Diaries, compartilhou uma postagem em seu story do Instagram pedindo Justiça por Orelha.

Foto: Divulgação

Caso Abacate

No oeste do Paraná, em Toledo, a vítima foi o filhote Abacate, de cerca de sete meses, que foi morto por um disparo de arma de fogo no bairro Tocantins. A bala atravessou o abdômen, perfurou o intestino e causou danos irreversíveis aos rins. Apesar de ter sido socorrido por moradores e levado para cirurgia em um hospital veterinário particular, Abacate não resistiu.

Segundo a equipe de Proteção Animal do município, as lesões eram profundas e incompatíveis com a recuperação, indicando uma ação deliberada. Abacate recebia alimentação, água, abrigo noturno e já estava com a castração programada pelos moradores do bairro. Conhecido pelo comportamento dócil, cresceu cercado de afeto. Até o momento, não há suspeitos identificados, e a investigação segue sem respostas públicas, alimentando a sensação de permissividade diante da violência contra animais.

Cão baleado por policial

Foto: Reprodução

Na noite de ontem (27/01), em Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), um cão comunitário conhecido como Negão foi baleado por um policial militar durante uma abordagem no bairro Barrinha. O momento foi registrado por uma câmera de segurança.

Segundo o relato da vereadora Kayanne Braga, a Brigada Militar realizava uma abordagem a moradores quando um dos policiais teria pisado na pata do animal. O cão gritou, mas não atacou. Ainda assim, o PM efetuou um disparo.

Negão foi resgatado pela ONG Campo Bom Pra Cachorro e segue internado em uma clínica veterinária.

A região abriga diversos animais comunitários desde a enchente de 2024, que deixou cães desabrigados. De acordo com testemunhas, outros cães estavam no local, todos muito calmos. A Secretaria da Segurança Pública determinou a apuração imediata do caso, que será conduzida pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar.

Preocupação com os animais

Como um padrão entre os casos, animais comunitários ou domésticos, reconhecidos por comportamento dócil e convivência pacífica, se tornam alvos de violência extrema, muitas vezes sem que os responsáveis enfrentem consequências proporcionais à gravidade dos atos. Organizações de defesa animal alertam que a repetição desses crimes consequência de uma cultura que ainda relativiza a vida animal e falha em aplicar, de forma efetiva, a legislação.

A sucessão de casos expõe uma falha estrutural na prevenção, investigação e punição de crimes contra animais. Embora a legislação brasileira reconheça maus-tratos como crime, a sensação de impunidade persiste, especialmente quando os autores respondem em liberdade ou não são identificados.

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