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INTERVENÇÃO HUMANA

Objetos do dia a dia se tornam armadilhas para animais selvagens na Austrália

Milhares de animais nativos ficam presos em redes de frutas, cercas e linhas de pesca em quintais todos os anos.

11 de julho de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Wildlife Victoria

Todos os anos, milhares de animais silvestres ficam presos em redes de pomares, cercas de arame farpado e equipamentos de pesca na Austrália, em acidentes provocados por estruturas e resíduos deixados pela atividade humana. O problema causa ferimentos graves e mortes de mamíferos, aves e outros animais nativos, incluindo espécies ameaçadas de extinção.

Dados compilados por organizações de resgate indicam ao menos 3,5 mil casos anuais de emaranhamento em Nova Gales do Sul e mais de 2 mil registros em Victoria no último ano. Pesquisa publicada na revista Pacific Conservation Biology revelou que os morcegos-raposa representam cerca de dois terços das ocorrências em Nova Gales do Sul, sobretudo o morcego-raposa-de-cabeça-cinza, classificado como vulnerável pela legislação ambiental australiana.

Segundo a ecologista e reabilitadora de morcegos Jasmine Vink, muitos animais morrem antes mesmo de receber atendimento, vítimas de desidratação, exposição ao calor ou frio, perda de sangue e predação. Além dos morcegos-raposa, cangurus, ornitorrincos, aves de rapina, planadores e outras espécies também são frequentemente afetados.

Especialistas alertam que redes de proteção para árvores frutíferas com malhas superiores a 5 milímetros representam uma das principais ameaças. Alternativas com malha fina, bem esticadas e em cores claras reduzem significativamente o risco de aprisionamento. Alguns estados australianos promovem programas gratuitos de troca dessas redes, enquanto Victoria e o Território da Capital Australiana já proibiram a comercialização de modelos considerados perigosos.

O lixo também tem papel importante nas ocorrências. Linhas de pesca, anzóis e até elásticos de cabelo podem prender animais aquáticos, especialmente ornitorrincos, cujas patas palmadas dificultam a remoção desses materiais. Para reduzir esse impacto, programas como o Reel It In, da Austrália Ocidental, instalaram coletores específicos para descarte de equipamentos de pesca, retirando centenas de quilômetros de linhas do ambiente.

Nas áreas rurais, cercas de arame farpado continuam provocando centenas de resgates de cangurus e morcegos. A substituição do fio superior por arame liso e a instalação de fitas ou refletores tornam essas estruturas mais visíveis e reduzem os acidentes.

Organizações de proteção aos animais orientam que indivíduos emaranhados não sejam manipulados pela população. O procedimento recomendado é acionar equipes especializadas, especialmente no caso de morcegos-raposa, que exigem manejo por profissionais treinados. Para pesquisadores e ONGs de resgate, a redução desses acidentes depende menos de tecnologias complexas do que da adoção de práticas cotidianas capazes de compatibilizar atividades humanas com a proteção dos animais nativos.

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