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Reserva Ecológica Michelin bate recorde de registros de suçuaranas na Mata Atlântica da Bahia

Predador de topo da cadeia alimentar é considerado um importante indicador da saúde dos ecossistemas

11 de julho de 2026
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Foto: Divulgação

A Reserva Ecológica Michelin (REM), no sul da Bahia, registrou o maior número de avistamentos de suçuaranas desde o início do monitoramento por armadilhas fotográficas, em 2018. Foram 49 registros em vídeo no último mês, indicando que pelo menos cinco indivíduos — três machos e duas fêmeas — utilizam a área protegida de quase 4 mil hectares. Segundo a equipe da reserva, a frequência dos registros sugere que a área preservada e restaurada oferece condições favoráveis para a fauna silvestre.

A suçuarana (Puma concolor), também conhecida como onça-parda, é o segundo maior felino das Américas e desempenha um papel fundamental na manutenção do equilíbrio ecológico por atuar como predador de topo da cadeia alimentar. Embora seja uma espécie amplamente distribuída no continente, suas populações vêm sofrendo pressão em diversos trechos da Mata Atlântica devido à perda e fragmentação do habitat, à caça retaliatória e aos atropelamentos.

No Brasil, a espécie é classificada como quase ameaçada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Por exigir grandes áreas de vida e disponibilidade de presas, sua presença é considerada um importante indicador da qualidade ambiental e da conectividade entre os remanescentes florestais

Criada em 2004, a reserva protege 3.950 hectares de Mata Atlântica nos municípios de Igrapiúna e Ituberá, uma das regiões de maior biodiversidade e endemismo do bioma. O trabalho é baseado em seis eixos: proteção, restauração florestal, pesquisa científica, ecoturismo, educação ambiental e empoderamento feminino.

“Mais do que um número expressivo, esse recorde representa o resultado de 22 anos de proteção ativa e demonstra que o ecossistema está funcionando como deveria”, afirma Kevin Flesher, diretor da Reserva Ecológica Michelin.

Ao longo de mais de duas décadas, a iniciativa reduziu em 96% a pressão da caça ilegal e registrou aumento de 117% na abundância de mamíferos e aves de grande porte. A reserva também contabiliza mais de 2.500 espécies de fauna e flora, incluindo cerca de 40 espécies descobertas no local, e já apoiou mais de 150 projetos científicos.

Neste ano, a Reserva Ecológica Michelin também passou a integrar uma vitrine internacional de iniciativas de restauração ambiental do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), após ter sido apresentada na COP30 como exemplo brasileiro de solução baseada na natureza para recuperação da Mata Atlântica.

Fonte: Um só Planeta

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