Um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change apresenta o mapeamento mais detalhado já feito das emissões de gases de efeito estufa provenientes da produção de cultivos agrícolas. A pesquisa reúne dados de campo, sensoriamento remoto e modelagens para identificar emissões em áreas agrícolas com resolução de cerca de 10 quilômetros, permitindo localizar fontes de poluição por tipo de cultura e sistema produtivo.
“É uma síntese global de dados essenciais para medir emissões agrícolas e apoiar estratégias climáticas mais eficazes”, explica Mario Herrero, professor da Cornell University. Atualmente, áreas de cultivo ocupam cerca de 12% das terras do planeta e respondem por aproximadamente 25% das emissões do setor agrícola. O último mapeamento global desse tipo havia sido realizado no ano 2000, antes de mudanças relevantes no crescimento do setor e no avanço das ferramentas de análise.
Os dados indicam que, em 2020, as lavouras emitiram o equivalente a 2,5 gigatoneladas de dióxido de carbono. A região da Ásia Oriental e Pacífico concentrou cerca da metade dessas emissões, seguida pelo Sul da Ásia, Europa e Ásia Central, que juntas somaram cerca de 30% do total.
O levantamento analisou 46 classes de culturas agrícolas, mas quatro delas — arroz, milho, óleo de palma, trigo — responderam por quase 75% das emissões. O arroz lidera com 43%, principalmente devido ao cultivo em áreas alagadas. Outras fontes relevantes incluem o drenamento de turfeiras para produção de óleo de palma, responsável por 35% das emissões, e o uso intensivo de fertilizantes sintéticos, que representa cerca de 23%.
De acordo com o estudo, a redução das emissões exige estratégias específicas para cada cultura e região. Entre as soluções apontadas estão o reumedecimento controlado de turfeiras, mudanças no manejo do arroz irrigado e o uso mais eficiente de fertilizantes. Herrero, que também atua no Cornell Atkinson Center for Sustainability, afirma que os maiores focos de emissões estão na Ásia e destaca o cultivo de arroz como principal oportunidade de mitigação.
A pesquisa também reforça que políticas climáticas considerem eficiência produtiva e justiça alimentar. “Uma das inovações deste estudo é conectar os dados de produção de alimentos às emissões, permitindo avaliar quais sistemas agrícolas conseguem produzir mais com menor impacto climático”, afirma o pesquisador Peiyu Cao.
Os autores destacam ainda que o detalhamento territorial dos mapas pode orientar ações locais e priorizar investimentos em mitigação, especialmente em um cenário de recursos limitados para enfrentar as mudanças climáticas.
Fonte: Um só Planeta