A aprovação de mudanças na Lei da Ordem Pública no Reino Unido desencadeou uma onda de críticas de organizações em defesa dos direitos animais, que denunciam uma escalada de censura contra ativistas e a proteção institucional de uma indústria marcada por sofrimento e morte de animais em experimentos científicos. A nova legislação passou a classificar instalações de testes em animais como “Infraestrutura Nacional Essencial”, colocando laboratórios no mesmo nível de estruturas estratégicas como usinas de energia e ampliando penas para quem protesta nas proximidades desses locais.
Para defensores dos direitos animais, a medida é uma tentativa direta de silenciar denúncias e restringir a liberdade de expressão. Agora, manifestantes podem enfrentar até 12 meses de prisão e multas ilimitadas caso participem de protestos considerados irregulares perto de centros de experimentação. A mudança cria um ambiente de intimidação jurídica que dificulta ações pacíficas e o monitoramento público das atividades realizadas dentro dos laboratórios.
A repressão é feita em meio a denúncias persistentes contra o MBR Acres, em Cambridgeshire, unidade ligada à Marshall BioResources (MBR), onde ativistas afirmam que mais de 2 mil filhotes de beagle são criados anualmente para experimentos dolorosos. Segundo relatos divulgados por organizações, alguns animais são feridos, dissecados e têm órgãos coletados nas próprias instalações, enquanto outros seriam enviados para testes toxicológicos envolvendo envenenamento e administração forçada de substâncias químicas, seguidos de morte.
O clima de tensão aumentou após a ação do grupo Animal Rising, que em 2022 resgatou 23 filhotes do local. Vinte ativistas foram posteriormente acusados de “roubo” e enfrentam processos judiciais casos que mostram a tentativa de criminalizar quem denuncia abusos e realiza ações diretas em defesa dos animais. Os acusados se declararam inocentes, e o julgamento é acompanhado de perto por movimentos internacionais.
Denúncias recentes também incluem o uso de primatas em experimentos científicos. Imagens divulgadas por grupos de defesa animal mostram macacos-de-cauda-longa em laboratórios e durante transporte para o Reino Unido, ampliando a pressão pública sobre o governo britânico e levantando questionamentos sobre a utilização de espécies altamente sensíveis em pesquisas consideradas controversas.
A repressão legal ocorre justamente em um momento em que alternativas modernas à experimentação animal já estão disponíveis, como tecnologia de órgão em chip, inteligência artificial e testes baseados em células humanas. Esses métodos são mais precisos, éticos e eficazes, tornando desnecessário o uso de animais vivos em procedimentos invasivos.
Apesar do endurecimento das leis e das ações judiciais contra manifestantes, organizações de direitos animais afirmam que não pretendem recuar. Campanhas continuam pedindo o fim gradual dos testes em animais, o fechamento de centros de criação e experimentação e o investimento em ciência humanitária.