A Noruega anunciou que pretende encerrar o abate de pintos machos na indústria avícola até 1º de julho de 2027. A medida integra um acordo firmado no setor para reformular práticas produtivas e reduzir o sofrimento animal nas granjas do país.
Atualmente, pintos machos nascidos na produção de ovos são descartados logo após a eclosão por não apresentarem interesse econômico. Com a mudança, o país adotará tecnologias de sexagem in ovo, que permitem identificar o sexo do embrião ainda dentro do ovo, evitando o nascimento de animais destinados a serem mortos pela indústria.
O plano também prevê a substituição da linhagem de galinhas de crescimento rápido Ross 308, amplamente explorada na produção intensiva de carne. A raça é alvo de críticas de organizações de proteção animal devido à alta incidência de problemas locomotores, cardíacos e metabólicos associados ao crescimento acelerado.
A iniciativa acompanha movimentos já adotados por países como Alemanha, França, Áustria e Países Baixos, que implementaram medidas para impedir o abate de pintinhos machos por meio de tecnologia embrionária e mudanças regulatórias.
Especialistas em bem-estar animal avaliam que a decisão representa um avanço estrutural na indústria avícola norueguesa, embora ressaltem que desafios permanecem na cadeia produtiva global. A transição demonstra que mudanças regulatórias e tecnológicas são viáveis quando há compromisso político e pressão social.
O anúncio reforça o debate internacional sobre a necessidade de rever modelos de produção intensiva e ampliar padrões de proteção aos animais explorados para consumo.
Nota da Redação
A decisão da Noruega de encerrar o abate de pintinhos machos e rever práticas na indústria avícola é um passo relevante na discussão sobre bem-estar animal. No entanto, medidas regulatórias e ajustes tecnológicos, embora importantes, não eliminam a realidade estrutural da exploração de animais para consumo.
Milhões de aves continuam sendo criadas em sistemas intensivos, submetidas a confinamento, seleção genética e abate precoce. Diante desse cenário, torna-se inevitável refletir sobre o papel do consumo individual e coletivo na manutenção desse modelo.
O veganismo surge como uma alternativa ética que busca romper com o ciclo de exploração, ao excluir do cotidiano produtos de origem animal. Mais do que uma escolha alimentar, trata-se de um posicionamento em defesa da vida, da redução do sofrimento e da construção de sistemas mais justos e sustentáveis.
A transformação estrutural depende de políticas públicas, avanços tecnológicos e mudanças culturais. Considerar o veganismo é ampliar esse debate e reconhecer que cada decisão de consumo também tem impacto direto sobre os animais e o planeta.