
Neil tem apenas 5 anos, pesa cerca de uma tonelada, costuma bloquear ruas, derrubar estruturas de proteção e até “enfrentar” carros estacionados. O comportamento pouco discreto transformou a foca-elefante em uma celebridade da internet — e em uma preocupação para autoridades da Austrália.
O animal voltou em junho para a região costeira da Tasmânia onde nasceu, como parte de um ciclo natural de retorno à terra firme após passar meses se alimentando no mar. Mas, desta vez, Neil retornou maior, mais forte e acompanhado por uma legião de fãs: ele soma mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais.
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Desde então, a passagem da foca por pequenas cidades australianas deixou um rastro de situações curiosas: postes de trânsito entortados, placas derrubadas, cercas danificadas e momentos em que Neil simplesmente decide descansar no meio do caminho, interrompendo a rotina dos moradores.
Apesar da fama, especialistas e autoridades ambientais fazem um alerta: a aproximação excessiva de pessoas pode colocar em risco tanto os humanos quanto o próprio animal.
Fama nas redes preocupa autoridades
Segundo o Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Tasmânia, alguns visitantes têm ignorado orientações de segurança para conseguir fotos e vídeos de Neil.
Kris Carlyon, representante do órgão, afirmou que a popularidade da foca se tornou uma “faca de dois gumes” e citou casos de pessoas que chegaram perto demais do animal, inclusive levando crianças pequenas para tentar fazer registros para as redes sociais.
As autoridades pedem que moradores e turistas mantenham distância e evitem divulgar a localização exata de Neil para impedir aglomerações.
A preocupação é que um incidente obrigue equipes ambientais a retirar o animal da região — uma operação considerada arriscada. Autoridades também lembram casos de outros animais selvagens que viralizaram e acabaram prejudicados pela exposição excessiva.
Em 2023, a morsa Freya, que atraía multidões na Noruega, foi sacrificada depois que autoridades locais afirmaram que havia um risco crescente à segurança das pessoas.
“Existe aqui o risco de, essencialmente, amarmos Neil até a morte”, disse Carlyon.
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Apesar da aparência de mau comportamento, especialistas explicam que as atitudes de Neil fazem parte do desenvolvimento natural de um macho jovem.
Sophia Volzke, pesquisadora de elefantes-marinhos da Universidade da Tasmânia, explica que os machos precisam praticar disputas de dominância. Na natureza, esses confrontos acontecem quando os animais se erguem e usam o próprio corpo para empurrar rivais durante competições por território e acasalamento.
Como Neil não encontra outros machos jovens da espécie na região, ele acaba treinando com objetos — incluindo veículos estacionados.
A presença dele na Tasmânia também é considerada incomum. Populações de elefantes-marinhos vivem principalmente em ilhas subantárticas ao sul da região, e a mãe de Neil provavelmente saiu de uma dessas áreas para dar à luz.
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O retorno de focas à terra firme é um comportamento esperado: os animais costumam voltar ao local onde nasceram para descansar, trocar de pelos e passar períodos sem se alimentar.
Mas o tamanho de Neil chama atenção. Ele já pesa o equivalente a um carro pequeno e, se chegar à fase adulta, poderá alcançar cerca de 5 metros de comprimento e pesar até três vezes mais.
Nem todos os machos, porém, chegam lá. Segundo especialistas, cerca de 90% dos elefantes-marinhos machos morrem antes da idade reprodutiva, que ocorre por volta dos 10 anos.
Por enquanto, Neil segue ocupando os lugares que escolhe — incluindo calçadas e ruas — e encantando fãs com cenas como brincar com cones de trânsito.
Para alguns moradores, a convivência exige paciência. Para outros, a foca já virou símbolo local.
“É o mundo do Neil e nós apenas vivemos nele”, resumiu um morador da região.
Fonte: g1




