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BELO HORIZONTE (MG)

"Não me leve embora, eu já tenho casa": homem em situação de rua pede que parem de tentar resgatar cadelinha paraplégica adotada por ele

4 de abril de 2025
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução | Instagram

A frase que virou símbolo de amor e proteção foi escrita em uma placa para evitar que tentem separar Jhonny, um morador em situação de rua, de sua fiel companheira, a cadela Manhosa. A história dos dois, marcada por resiliência e cuidado, ganhou repercussão após ser compartilhada pelo veterinário Aldair Junio Woyames Pinto, diretor do Complexo Público Veterinário de Belo Horizonte e coordenador do Grupo de Resgates de Animais da cidade (GRABH).

Jhonny encontrou Manhosa ainda filhote, abandonada em uma caçamba de lixo, sofrendo de cinomose — doença viral que pode afetar o sistema nervoso dos cães. Desde então, ele se tornou seu tutor, garantindo que ela recebesse atendimento veterinário semanal no Hospital Público Veterinário. Apesar da paralisia nas patas traseiras, a cadela não sente dor e leva uma vida tranquila ao lado de quem a salvou.

Nos últimos dias, no entanto, pessoas tentaram levar Manhosa embora, acreditando que ela estivesse abandonada ou maltratada. Em uma das ocasiões, chegaram a acusar Jhonny de agressão, levando a cadela para exames. “Fizemos os procedimentos e constatamos que não havia qualquer indício de maus-tratos. Ela foi devolvida a ele, e registramos um boletim de ocorrência”, explicou Pinto.

Para evitar novas tentativas, uma placa foi fixada com o apelo: “Não me leve embora, eu já tenho casa”.

Jhonny recebeu um carrinho adaptado para transportar Manhosa enquanto trabalha coletando materiais recicláveis. “Se você vir a Manhosa com o Jhonny, saiba que eles já se salvam todos os dias”, destacou o veterinário em suas redes sociais.

A história emocionou internautas e serve como um lembrete: o afeto e a dedicação não dependem de condições materiais — e, às vezes, o melhor lugar para um animal é justamente ao lado de quem nunca desistiu dele.

História se repete

Quase uma década antes de Jhonny e Manhosa emocionarem Belo Horizonte, um caso semelhante comoveu Paris. Em 2015, o morador de rua Patrick Kemo e seu cachorro, Snoopy, foram alvo de uma tentativa de separação forçada por ativistas que alegavam proteção animal.

Assim como Manhosa, Snoopy foi resgatado por Patrick ainda filhote, nas ruas da capital francesa. Os dois eram inseparáveis, mas ativistas removeram o cão à força, alegando que o tutor não tinha condições de cuidá-lo. A mobilização popular, no entanto, pressionou pela volta de Snoopy — que, após exames veterinários, foi devolvido ao seu tutor.

Foto: Reprodução / Youtube

O caso gerou debate sobre o preconceito contra pessoas em situação de rua e a importância de avaliar, antes de tudo, o vínculo afetivo entre tutores e seus animais. Uma lição que, dez anos depois, ainda precisa ser lembrada.

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