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INCONSCIÊNCIA

Multidão em show impede capivara de sair do rio e força ela a nadar em direção ao mar em Palhoça (SC)

Capivaras dependem das margens de rios para descanso e alimentação, e a impossibilidade de sair da água pode causar estresse e exaustão.

9 de março de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução

O som alto do show, as luzes e a multidão ocupando cada pedaço de terra nas margens do rio deixaram pouco espaço para qualquer outra presença. No meio da cena, uma capivara nadava pelo Rio da Madre, em Palhoça (SC), tentando encontrar um ponto para sair da água. Entretanto, ela foi impossibilitada de se aproximar das margens devido à uma barreira de pessoas que assistiam ao concerto.

Sem passagem para terra firme, o animal seguiu nadando. Cercada pelo público que lotava o local para assistir à apresentação do cantor Armandinho, a capivara acabou avançando em direção ao oceano, aparentemente em busca de um lugar seguro onde pudesse finalmente descansar.

O caso ocorreu durante um evento realizado nas margens do Rio da Madre, área que integra um importante ecossistema costeiro do município de Palhoça, na Grande Florianópolis. A presença de muitas pessoas ocupando as bordas do rio acabou bloqueando completamente o acesso da capivara à margem, transformando o habitat natural em um corredor de fuga.

Capivaras são animais semiaquáticos e dependem das margens para descansar, se alimentar e escapar de ameaças. Impedir que um animal silvestre saia da água pode levá-lo à exaustão, aumentar o estresse e colocá-lo em risco, especialmente em ambientes tomados por barulho, aglomeração e movimentação intensa.

A dificuldade de capivara de encontrar um local para descansar levantou críticas à forma como a prefeitura conduz eventos em áreas ambientalmente sensíveis. Permitir a realização de um grande show em um espaço que também serve de habitat para animais silvestres mostra uma lógica em que entretenimento e turismo se sobrepõem à proteção da natureza.

A natureza segue sendo tratada como espaço para grandes atividades humanas, enquanto os próprios habitantes desses ambientes são empurrados para fora. Quando uma capivara precisa abandonar o rio onde vive e nadar em direção ao mar para conseguir escapar de uma multidão, fica claro que a convivência entre humanos e animais silvestres é desequilibrada.

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