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INSPIRAÇÃO

Mulheres que protegem elefantes: força de segurança 'Akashinga' transforma vidas enquanto combate a caça no Zimbábue

Embora recebam treinamento armado para situações de risco, a estratégia do grupo prioriza o diálogo com moradores e a conscientização sobre a importância de proteção da vida selvagem.

13 de março de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Kim Butts/National Geographic

Em meio às savanas do Zimbábue, um grupo de mulheres tem reescrito as histórias das próprias vidas e dos animais selvagens que protegem. Integradas na força de segurança Akashinga, palavra que significa “Valentes”, elas se tornaram protagonistas de um dos projetos mais bem-sucedidos de combate à caça e de defesa dos elefantes na África.

Criado pela Fundação Internacional Anti-Caça Ilegal (IAPF), o programa reúne mulheres que, em muitos casos, sobreviveram a contextos de violência doméstica, pobreza extrema ou abandono. Para elas, a iniciativa é uma oportunidade de reconstrução pessoal e de proteção dos animais que compartilham seu território.

Treinadas com disciplina militar, as integrantes da Akashinga atuam como guardiãs de áreas de proteção e podem utilizar armas caso necessário. No entanto, o foco da atuação está na prevenção e na educação ambiental. O objetivo principal é aproximar as comunidades locais da importância de proteger a vida selvagem e afastar práticas como a caça, responsável por dizimar populações inteiras de animais ao redor do mundo.

Os resultados mostram o impacto dessa abordagem baseada na comunidade. Segundo dados da IAPF, nas áreas protegidas pelo projeto a caça foi reduzida em 80%, enquanto as populações de vida selvagem cresceram 350%. Atualmente, mais de 200 mulheres fazem parte da força, que atua em cerca de 186 mil hectares de reservas naturais.

Mas os efeitos da iniciativa ultrapassam a proteção dos animais. Nas comunidades próximas às áreas protegidas, também foram observadas melhorias no acesso a cuidados de saúde, desenvolvimento de habilidades profissionais, redução do abandono escolar e até diminuição de crimes sexuais. O aumento da expectativa de vida e a queda nos índices de pobreza também são apontados como consequências indiretas do projeto.

Para Damien Mander, fundador da IAPF e ex-soldado das forças especiais que há mais de uma década treina guardas florestais no país, envolver quem vive no território é fundamental para proteger os animais. “A população local tem um interesse especial em seu lugar de origem, sua casa. Estrangeiros, não”, afirma.

Entre as mulheres que encontraram no projeto uma nova perspectiva de vida está Nyaradzo Hoto. Integrante da Akashinga, ela diz que sua trajetória mudou completamente desde que entrou para o grupo. “Antes eu não pensava em animais, mas agora tenho uma forte paixão pela vida selvagem e pela natureza”, relata.

A experiência também abriu portas que antes pareciam impossíveis. Hoto voltou a estudar e hoje cursa, em regime de meio período, uma graduação em ciências da vida selvagem, ecologia e proteção. Ela também conseguiu tirar carteira de motorista, algo raro para mulheres rurais africanas, e comprar um terreno em sua própria comunidade.

Além de transformar sua realidade, Hoto espera que o projeto continue ampliando oportunidades para outras mulheres. “Quero mostrar que não existe trabalho que seja só masculino. O céu é o limite”, afirma.

A história da força feminina que protege elefantes e desafia desigualdades sociais ganhou visibilidade internacional no documentário Akashinga, produzido executivamente pelo cineasta James Cameron e dirigido por Maria Wilhelm. A produção apresenta os bastidores da iniciativa e o impacto humano e ambiental do projeto.

Para as integrantes da força, o sonho agora vai além das reservas onde atuam. Elas desejam que o modelo inspire outros lugares e contribua para um futuro sem caça. “Já conquistamos corações e mentes da comunidade”, diz Hoto. “No futuro, esperamos que a caça seja zero em todo o mundo.”

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