Sozinha no momento da inundação, ela agiu rápido para se salvar e proteger quatro cães e um gato. A moradora colocou os animais em um ponto mais alto da varanda externa e, em seguida, subiu também para se abrigar. Do alto, viu a força da enxurrada destruir móveis e pertences, enquanto permanecia ilhada até que o nível da água baixasse.
Emocionada, Consuelo Paiva, de 49 anos, contou em entrevista à EPTV, afiliada Globo, que ainda tenta entender o que aconteceu.
“Foi tudo muito rápido. Eu estou um pouco abalada ainda, sofrendo as consequências desse momento, que foi terrível. Foi muito apavorante mesmo”, relatou a moradora.
Segundo a Defesa Civil, choveu cerca de 80 milímetros em menos de uma hora, volume que provocou o transbordamento do ribeirão Mamono, que corta a propriedade da moradora. A água invadiu a residência e chegou a cerca de um metro dentro do imóvel, arrastando lama, areia e diversos objetos.
Desespero e resgate dos animais
Consuelo ficou ilhada por cerca de duas horas. Durante esse período, segundo ela, o maior medo era não conseguir salvar os animais.
“Os animais ficaram muito apavorados. Teve um deles que chegou e ficou em choque, eu acredito, né? E na tentativa de colocá-los ali pra cima eu acabei me machucando. E ainda bem que eu consegui manter a calma pra poder salvar os meus bichinhos, porque aqui não tinha pra onde a gente ir. A água veio de lá e aqui atrás tem um outro ribeirão. Então foi um momento de muito desespero para todos nós”, contou.
Apesar da gravidade da situação, ninguém ficou ferido, incluindo os animais, que ficaram assustados, mas em segurança após a água baixar.
Prejuízos e recomeço
Os prejuízos foram grandes. Conforme a Defesa Civil, a moradora teve perda total de móveis, eletrodomésticos e objetos pessoais. A marca da enchente ainda é visível nas paredes da casa, mostrando a altura que a água alcançou.
Ainda abalada, Consuelo diz que, por enquanto, está focada na limpeza, com ajuda de amigos e familiares. Ela é professora, está em período de férias e agora tenta reorganizar a vida após o susto.
“O prejuízo, acho que a vai pensar nisso depois, mas realmente foi muito grande, infelizmente. […] Vai ser um trabalhão, mas o mais importante é que está todo mundo bem. Minha preocupação era só comigo e com os meus animais. Ainda bem que eu tô de férias ainda e posso dar um jeito aqui pra tentar voltar ao normal, à vida”, disse.
Equipes da Defesa Civil Municipal e da 6ª Região Integrada de Defesa Civil (REDEC) estiveram no local e confirmaram os danos. De acordo com os técnicos, a moradora correu risco real de morte devido à força e à velocidade da água.
A enxurrada também causou assoreamento do ribeirão, destruição de vegetação nas margens e danos na estrada de acesso à propriedade. Três pontes ficaram comprometidas depois de serem cobertas pela água.
A Defesa Civil orientou que a moradora permaneça em uma área mais alta da propriedade, já que há previsão de novas chuvas para os próximos dias.
Fonte: G1