Uma mulher de 26 anos foi presa após amarrar o próprio cachorro a um medidor de bagagem em um aeroporto e seguir sozinha para o portão de embarque, depois que o transporte do cãozinho foi negado por falta de documentação. O que deveria ser uma situação resolvida com responsabilidade terminou com um cão deixado para trás, tratado como um obstáculo descartável diante de um contratempo burocrático.
De acordo com a Polícia Metropolitana de Las Vegas (EUA), os agentes foram acionados por volta das 23h30 do dia 2 de fevereiro, após denúncia de um cachorro abandonado no Terminal 3 do Aeroporto Internacional Harry Reid, no balcão da JetBlue. O cão estava amarrado a um medidor metálico de bagagem de mão, imóvel, assustado e completamente vulnerável em meio ao fluxo intenso de passageiros. Sem possibilidade de fuga, sem compreensão do que estava acontecendo, ele aguardava preso a um objeto frio, dependente da compaixão de desconhecidos.
A tutora, identificada como Germiran Bryson, teve o embarque negado por não apresentar a documentação online exigida para viajar com um animal doméstico. Em vez de buscar uma alternativa segura, como contatar familiares, remarcar o voo ou garantir acolhimento imediato ao cão, ela seguiu em direção ao portão de embarque. Ao ser localizada, alegou que o cachorro “voltaria para ela” porque possuía um dispositivo de rastreamento, como se tecnologia pudesse substituir presença, cuidado e responsabilidade ética por uma vida sob sua guarda.
Segundo a polícia, Bryson reagiu de forma hostil e resistiu à abordagem, sendo presa e indiciada por abandono de animais, resistência à prisão e por prestar falso testemunho ou obstruir um funcionário público. Como as acusações são contravenções, ela foi liberada sem pagamento de fiança. A audiência está marcada para 31 de março.
Enquanto isso, funcionários da companhia aérea e do aeroporto intervieram para proteger o cão até a chegada do controle de animais, o que evitou que a situação se agravasse ainda mais. Após 10 dias sem que a tutora o reclamasse, um silêncio que mostra o descaso pelo cãozinho, ele foi encaminhado ao Retriever Rescue of Las Vegas.
“Estamos muito felizes em ter esse menino em nosso abrigo”, afirmou Danielle Roth, fundadora da organização. O cão foi batizado de “JetBlue”, em homenagem às pessoas que ajudaram a salvá-lo.
Castrado e vacinado, ele agora está em lar temporário e aguarda adoção responsável. “É claro que queremos garantir que ele tenha a melhor família possível. O importante agora é nunca o decepcionar”, declarou Roth.
Enquanto os animais forem vistos como objetos de posse e não como vidas, decisões como essa podem se transformar em traumas profundos na vida de cães e gatos. JetBlue sobreviveu ao abandono e agora a prioridade é garantir que sua próxima família compreenda que cuidar de um animal doméstico é um compromisso inegociável.
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