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AGRESSÃO

Mulher arremessa algas contra foca em área de observação na Nova Zelândia; o caso é investigado

Autoridades reforçam regras de distanciamento e alertam que interferências humanas podem causar estresse, alterar comportamentos naturais e até levar ao abandono de filhotes.

25 de março de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução

Uma mulher foi flagrada importunando uma foca em uma colônia na Península de Kaikōura, na Nova Zelândia, ao jogar uma alga nela para despertá-la. O caso, registrado em vídeo, levou o Departamento de Conservação (DOC) a abrir investigação.

As imagens, feitas por Bruno Chauca, mostram a foca deitada sobre rochas quando é alvo de ações humanas deliberadas. Segundo ele, antes da agressão direta, um homem já atirava pedras ao redor da foca “para provocar uma reação”. “Ela estava se mexendo um pouco, tentando, eu acho, descobrir o que era. Parecia estar ficando um pouco agitada”, relatou.

Na sequência, uma mulher intensificou a importunação ao arremessar um pedaço de alga próximo à foca e, em seguida, diretamente contra ela. A ação aumentou o estresse do animal. “Foi aí que me manifestei e fiquei um pouco irritado com eles, e eles rapidamente foram embora”, disse Chauca.

Para organizações de proteção aos animais, o caso não é isolado, mas reflete uma postura recorrente de desrespeito à espécies locais. Stacey Wrenn, gerente de operações do DOC South Marlborough, classificou o comportamento como “decepcionante” e foi enfática ao dizer que “perturbar nossas espécies nativas dessa maneira é inaceitável”.

Além de eticamente condenável, a conduta configura infração legal. De acordo com a Lei de Proteção de Mamíferos Marinhos de 1978, é proibido assediar, perturbar ou ferir focas, animais protegidos no país. As penalidades podem chegar a dois anos de prisão ou multa de até 250 mil dólares.

Especialistas alertam que atitudes como essa não são inofensivas. “Perturbar ou alterar o comportamento natural de uma foca pode ter consequências negativas para o animal. Nesta época do ano, as mães podem até abandonar os filhotes se forem perturbadas”, explicou Wrenn.

O DOC reforça que visitantes devem manter ao menos 20 metros de distância e jamais interagir com os animais, tanto para evitar riscos de ataque quanto para preservar seu bem-estar.

A Península de Kaikōura abriga milhares de lobos-marinhos da Nova Zelândia, espécie que já esteve à beira da extinção devido à exploração humana. Embora atualmente em recuperação, esses animais seguem vulneráveis à violência direta, a doenças e à interferência humana irresponsável.

A região tem um histórico de violência conta focas, o que agrava o problema. Em 2010, 23 focas foram brutalmente mortas a pauladas, incluindo filhotes, e, em 2021, outras oito foram baleadas. Diante desse cenário, ativistas e autoridades reiteram que qualquer forma de assédio, por menor que pareça, contribui para um ciclo contínuo de violência contra a vida selvagem.

O caso segue sob investigação.

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