O aparecimento de arco-íris nos céus costuma chamar a atenção pela beleza do momento, levando muitas pessoas a parar para observar e registrar a cena e há até quem associe o fenômeno a significados místicos. Fato é que se trata de um evento natural, que também pode ser impactado pelas mudanças climáticas, com possibilidade de aumento ou redução na sua frequência a depender da região.
Como explica o biólogo Andreas Köhler, subcoordenador do curso de Ciências Biológicas da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), “do ponto de vista científico, um arco-íris é um evento óptico que envolve luz solar, gotas de chuva e um conjunto específico de reflexões e refrações dentro dessas gotas, cuja compreensão ajuda a explicar melhor a interação entre luz, água e condições atmosféricas”.
Mudanças Climáticas
Segundo Köhler, a ocorrência do arco-íris está diretamente ligada às condições atmosféricas, especialmente à umidade do ar. “Em locais onde o clima se tornar mais úmido, a tendência é de aumento na ocorrência. Já em regiões que ficarem mais secas, eles podem se tornar menos frequentes ou até desaparecer”, afirma.
Essa relação insere o fenômeno no contexto das alterações nos regimes de chuva provocadas pelas mudanças climáticas e o coloca como reflexo das transformações na dinâmica de umidade e temperatura observadas em escala global.
Mais chuva e eventos extremos no Rio Grande do Sul
Dentro do contexto de mudanças climáticas que afetam todo o mundo, projeções apontam que o Rio Grande do Sul deverá enfrentar mudanças significativas no comportamento das chuvas ao longo do século. Estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul indica que, até 2100, a precipitação média anual no estado pode aumentar cerca de 4,8%.
Além disso, eventos extremos — aqueles considerados raros, com tempo de retorno de 100 anos — poderão ocorrer até cinco vezes mais frequentemente. O levantamento, baseado em modelos climáticos globais e regionais, mostra que o Sul do Brasil está entre as regiões mais sensíveis às mudanças no ciclo hidrológico.
O aquecimento global intensifica processos como evaporação e precipitação, alterando padrões históricos de distribuição de chuva. Isso amplia o risco de enchentes, deslizamentos e outros desastres associados à água, ao mesmo tempo em que modifica a frequência de fenômenos atmosféricos conhecidos.
Segundo o biólogo Andreas Köhler, essa dinâmica afeta do arco-íris a outros eventos. “Todos os fenômenos ligados ao clima, como geada, neve e formação de gelo, também sofrem impacto. À medida que temperatura e umidade mudam, a frequência desses eventos também se altera”, destaca.
Fonte: Folha do Mate