EnglishEspañolPortuguês

IMPRECISÃO

Mudanças climáticas ampliam extremos e deixam previsões mais incertas, diz meteorologista

Efeito da La Niña, urbanização e aquecimento global geram onda de extremos que marca chegada do verão

30 de novembro de 2025
Adele Robichez e Larissa Bohrer
2 min. de leitura
A-
A+
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A meteorologista Nadja Marinho, da Tempo OK, avalia que o verão no Brasil deve seguir marcado por contrastes e episódios mais frequentes de chuva intensa e calor extremo, efeito direto das mudanças climáticas combinado a fenômenos naturais como a La Niña. Em entrevista ao ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela explica que a previsão do tempo segue cada vez mais precisa para períodos curtos, mas mais incerta quando se olha adiante.

Segundo Marinho, apesar da sensação de “tempo maluco”, os meteorologistas conseguem identificar bem as variações graças aos modelos numéricos. “A acertabilidade aumentou muito em relação à previsão do tempo. Agora, quanto mais tempo vai se distanciando do dado observado, aí fica maior a incerteza”, afirma.

Ela explica que a sequência de dias mais frios em São Paulo em plena primavera tem relação com três fatores: a atuação da La Niña, maior cobertura de nuvens e um número anormal de frentes frias. “Nós já tivemos nove frentes frias entrando até São Paulo. Geralmente são quatro que ocorrem”, destaca. A La Niña, mesmo fraca, também favorece a entrada de ar frio no Sudeste.

Além disso, a meteorologista lembra que São Paulo, a 800 metros de altitude, responde de forma mais sensível às mudanças repentinas. Mas, mesmo com o cenário instável, ela diz que não é correto afirmar que as estações vão desaparecer. “As áreas que têm as estações mais definidas são mais ao sul do Brasil. Ainda devemos ter no futuro um período de primavera normalizado”, projeta.

Marinho também aponta que fenômenos extremos tendem a se intensificar nas próximas décadas, impulsionados pelo impacto humano. “Tivemos um aquecimento muito diferenciado em termos globais nos últimos 100 anos”, afirma. O desmatamento e o aumento das áreas impermeabilizadas nas cidades criam ilhas de calor, geram tempestades mais violentas e reduzem as chuvas fracas e contínuas. “Isso tudo acaba acarretando no que nós chamamos de ilhas de calor, proporcionando temporais cada vez mais fortes”, explica.

O ciclone extratropical recente, que provocou ventania e acumulou mais de 100 mm de chuva no Sul e Sudeste, também se insere nesse padrão. “Da primavera é normal. É o período mais favorável para sistemas convectivos de média escala”, esclarece. A temperatura acima de 35°C antes dos tornados no Paraná, segundo ela, mostra “que foi realmente algo bem extremo”.

Marinho reforça que os impactos são sentidos de forma desigual. “Quem sofre mais com tudo isso são as pessoas mais vulneráveis”, alerta, lembrando que áreas de encosta, margens de rios e regiões periféricas são mais expostas a deslizamentos e enchentes.

Fonte: Brasil de Fato

    Você viu?

    Ir para o topo