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LUTO

Morre Hope, cachorra explorada em resgates que atuou em tragédias no Brasil e na Turquia

Enquanto recebe homenagens por sua atuação, a morte da cadela também traz pedidos de modernização de operações de resgate para que os animais parem de ser usados e colocados em risco.

2 de junho de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: arquivo pessoal

A cachorra Hope, que era explorada em buscas e resgates e participou de algumas das maiores operações de resposta a desastres dos últimos anos no Brasil e no exterior, morreu na segunda-feira (1º/06), aos 9 anos. Diagnosticada com câncer de pulmão, ela passou seus últimos momentos em casa, ao lado de seu condutor, o 1º Sargento Clóvis, do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

Hope ficou conhecida nacionalmente por sua atuação em tragédias como o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), em 2019, os desastres de Petrópolis (RJ), as enchentes no Rio Grande do Sul e a missão humanitária brasileira enviada à Turquia após o terremoto de 2023. Sua trajetória, no entanto, é marcada pela exposição de animais a cenários de extremo risco para desempenhar funções que poderiam ser substituídas por tecnologias como drones com câmeras térmicas, sensores de movimento e robôs projetados para atuar em áreas instáveis.

Na Turquia, em meio aos escombros deixados pelo terremoto que matou milhares de pessoas, a cachorra integrou a força-tarefa coordenada pelo Governo Federal, atuando ao lado de bombeiros e agentes da Defesa Civil na localização de vítimas. O reconhecimento conquistado por cães como Hope costuma vir acompanhado de homenagens e admiração pública, mas também levanta questionamentos sobre a exploração de animais em atividades que envolvem desabamentos, incêndios, enchentes e outros cenários capazes de causar ferimentos, adoecimento e até a morte deles.

Após anos de serviço, a cachorra estava aposentada e vivia com Clóvis, que a acompanhou até o fim da vida. Em depoimento divulgado após sua morte, o bombeiro lamentou a perda da companheira com quem dividiu momentos marcantes.

Além dos resultados alcançados nas missões, Hope conquistou a admiração de pessoas dentro e fora do Brasil. Segundo seu condutor, mensagens de condolências chegaram de diferentes regiões do país e também da Turquia, onde sua atuação ficou conhecida durante as operações de resgate.

Sua morte encerra a trajetória de uma cachorra que dedicou a vida ao salvamento de pessoas. Ao mesmo tempo, sua história mostra a necessidade de refletir sobre um modelo atrasado de resposta a emergências que ainda depende da exploração de animais para executar tarefas perigosas, mesmo diante do avanço de tecnologias capazes de assumir parte dessas funções. A homenagem a Hope reconhece sua dedicação, mas a sociedade precisa se comprometer a construir um futuro em que nenhum animal arrisque a própria vida para garantir sobrevivência de humanos.

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