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ANIMAIS SOLTOS

Moradores denunciam maus-tratos a cavalos e riscos de acidentes em Fernando de Noronha

Animais ficam amarrados às margens da rodovia sem água e comida. Representantes da ONG Pet Noronha relatam mortes e cobram providências das autoridades.

21 de janeiro de 2026
Ana Clara Marinho
5 min. de leitura
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Foto: Pet Noronha/Divulgação

Moradores de Fernando de Noronha denunciaram riscos no trânsito e maus-tratos a cavalos, incluindo falta de água, comida e até mortes. Segundo os relatos, o problema piorou com a chegada do verão, quando tutores deixam os animais às margens da rodovia para pastar, o que aumenta o perigo de acidentes.

Representantes da ONG Pet Noronha relataram situações frequentes de abandono e sofrimento dos animais. A fotógrafa Roberta Viegas, integrante da entidade, afirmou que muitos cavalos passam o dia inteiro amarrados, sem água e sem alimento.

Segundo Roberta, a falta de pasto agrava ainda mais o problema. “Esses cavalos passam o dia amarrados no sol, sem água e sem comida. Isso é maus-tratos”, disse.

A coordenadora da ONG, Any Perla Pereira, também alertou para os riscos no trânsito.

“Os cavalos ficam às margens da BR-363 e podem se soltar a qualquer momento, o que pode provocar um acidente grave”, alertou.

A massoterapeuta Tammy Casagrande, que integra a coordenação da ONG, relembrou um acidente fatal no início dos anos 2000. Segundo ela, o mergulhador Jairon Almeida pilotava uma moto quando bateu em um cavalo e morreu ao se chocar com um poste. O episódio ainda é lembrado pelos moradores da ilha.

“Isso aconteceu em 24 de agosto de 2002. Foi um choque. Jairon era muito querido na ilha. Quem viveu aquele momento ainda lembra. É um luto até hoje”, disse Tammy.

A coordenadora disse ainda que o número de animais soltos aumentou em Noronha. “Vamos esperar outra tragédia?”, questionou.

Animal morto

No sábado (17/01), um cavalo morreu na Vila dos Remédios. Any Perla Pereira afirmou que recebeu a denúncia e encontrou o animal muito debilitado.

“Recebi a denúncia e encontrei o cavalo caído, muito debilitado. Acionei os veterinários da Administração da Ilha, que levaram soro e medicamentos e tentaram socorrê-lo, mas o animal não resistiu. A suspeita é de que a morte tenha ocorrido por exaustão”, afirmou Any Perla.

De acordo com a ONG, as denúncias de maus-tratos recebidas são encaminhadas à Administração de Fernando de Noronha.

“Todas as denúncias de maus-tratos, principalmente envolvendo cavalos, são repassadas para a Administração de Noronha, mas até agora não tivemos uma solução definitiva”, afirmou Any Perla Pereira.

Integrantes da ONG informaram que também procuraram a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em busca de providências, mas não obtiveram retorno.

O que diz a Administração da Ilha

A Administração de Fernando de Noronha afirmou que entende a indignação da população diante de casos de sofrimento animal e reforçou que maus-tratos são crime, previstos na Lei de Crimes Ambientais.

Em nota, o órgão informou que o setor de saúde não tem função policial e que a Vigilância em Saúde atua no atendimento veterinário, no monitoramento dos casos e na orientação aos criadores.

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