Manifestantes ocuparam a Avenida Paulista na manhã deste domingo (1º) para exigir justiça no caso do cão Orelha, morto após sofrer violência extrema na Praia Brava, em Florianópolis (SC). O ato aconteceu em frente ao Masp e reuniu protetores, ativistas e representantes da causa animal, que pediram a responsabilização dos envolvidos e o fim da impunidade em crimes de maus-tratos.
Orelha, um cão comunitário conhecido por sua docilidade, foi brutalmente espancado no início de janeiro. Encontrado gravemente ferido, chegou a ser socorrido e levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu à extensão das lesões e acabou submetido à eutanásia. Laudos periciais indicaram trauma severo na cabeça causado por objeto contundente.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Santa Catarina apontam quatro adolescentes como autores das agressões. Dois deles haviam viajado com a família para os Estados Unidos, mas retornaram ao Brasil na última quinta-feira (29), após monitoramento realizado com apoio da Polícia Federal. Os celulares dos jovens foram apreendidos durante cumprimento de mandados de busca. Os outros dois adolescentes já haviam sido alvo de operação policial dias antes.
Por se tratar de menores de idade, os dados pessoais dos investigados seguem sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente. O procedimento está a cargo da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da capital catarinense. Ainda não há data definida para os depoimentos.
Além dos adolescentes, três adultos passaram a responder por suspeita de coação no curso da investigação. Segundo a polícia, dois pais e um tio teriam tentado intimidar um vigilante de condomínio que possuía uma imagem relevante para o esclarecimento do crime.
Os participantes também entoaram palavras de ordem cobrando mudanças na legislação penal diante da gravidade do caso, o que gerou debates sobre responsabilização e proteção efetiva dos animais.
A apuração policial também investiga um segundo episódio ocorrido no mesmo local, envolvendo outro cão comunitário, chamado Caramelo. Testemunhas relataram que o animal teria sido jogado ao mar pelos mesmos adolescentes, e imagens mostram o grupo carregando o cachorro pouco antes do ocorrido.
Orelha vivia em uma das casinhas instaladas na Praia Brava para cães comunitários, cuidados por moradores e comerciantes. Presença constante na região, tornou-se símbolo de convivência e cuidado coletivo. Sua morte provocou indignação nacional e reacendeu a discussão sobre direitos animais, dever do Estado e a urgência de respostas firmes diante da violência contra seres sencientes.
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