Uma família de Tlaxcala, no México, decidiu abrigar temporariamente 2 mil morcegos-maguey (Leptonycteris yerbabuenae). Com a ajuda de funcionários da Profepa e cientistas universitários, eles transformaram o porão de sua casa em abrigo para os morcegos, que permaneceram por dois meses, completando seu ciclo reprodutivo e migratório.
Assim como outros morcegos nectarívoros, os Leptonycteris yerbabuenae desempenham um papel muito importante no ecossistema. Infelizmente, trata-se de uma espécie ameaçada, por isso o trabalho da família Nocelo, do município de Nativitas, foi reconhecido como um ato de colaboração na proteção desses animais.
Como descobriram os morcegos em casa
Tudo começou em julho passado, quando a família descobriu centenas de morcegos no porão de sua casa. Segundo declarações da jovem Enriqueta Nocelo ao jornal El País, a família ficou alarmada com o número de morcegos em sua propriedade (na época, havia cerca de mil) e também preocupada com os rumores de que esses pequenos animais tinham raiva, atacavam e podiam ser contagiosos. Por isso, decidiram chamar a Defesa Civil.
Quando as autoridades chegaram e constataram a gravidade da situação, entraram em contato com cientistas da Estação Científica La Malinche, vinculada à Universidade Autônoma de Tlaxcala. Foi assim que Jorge Ayala, doutor em Ciências Biológicas pela UNAM, foi com sua equipe até a casa dos Nocelo.
Ayala explicou à família que, devido ao número de animais, capturá-los seria extremamente difícil e que muitos provavelmente morreriam. Disse também que expulsá-los só os faria buscar refúgio em outra casa próxima: “outra opção que lhes dei foi deixá-los lá”, afirmou. O cientista explicou que os morcegos não ficariam por muito tempo, por se tratar de uma espécie migratória, e ofereceu uma oficina para desmistificar os mitos sobre esses animais.
Grande ajuda para a proteção
A família conta que, durante o período em que os morcegos estiveram em sua casa, eles evitavam descer ao porão, pois, embora não fossem agressivos, ficavam incomodados com a presença humana. O único problema que enfrentaram foi o odor deixado pelos animais, que logo ultrapassou os dois mil, mas as mesmas autoridades se encarregaram da limpeza. No total, foram realizadas duas limpezas, a última após a saída dos morcegos, em setembro.
A equipe de especialistas alertou a família de que esse evento poderia se repetir em 2026, pois os morcegos escolheram o porão da família Nocelo como abrigo; no entanto, a família ainda não decidiu se os receberá ou não no próximo ano. Por enquanto, a família recebeu o reconhecimento da Agência Federal de Proteção Ambiental e da Bat Conservation International.
Sobre o morcego-do-maguey
Segundo dados da UNAM, o morcego-do-maguey é uma espécie migratória que percorre grandes regiões do norte e centro do México em direção ao Texas e Novo México, e seu papel ecológico é fundamental: ele poliniza agaves, cactos, ceibas e outras plantas típicas do ecossistema árido e subtropical. Atua também como regulador de pragas, dispersor de sementes e seu guano serve como fertilizante natural, embora seja estigmatizado por crenças negativas.
No entanto, sua existência está ameaçada: a destruição de seus abrigos, as mudanças climáticas e a caça motivada por preconceito reduziram drasticamente suas populações. Para reverter essa situação, foi lançado um plano de proteção com a participação das comunidades, brigadas de monitoramento e educação ambiental para proteger os abrigos em cavernas, conscientizar a população rural e garantir seu habitat.
Fonte: Xataka