Quase 8.000 espécies de animais podem ser empurradas para ainda mais perto da extinção até ao final deste século à medida que os efeitos das alterações climáticas e alterações no uso e ocupação do solo pelos humanos criam condições cada vez mais desfavoráveis nos habitats naturais.
A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista ‘Global Change Biology’, no qual uma equipa internacional de cientistas, liderada pela Universidade de Oxford (Reino Unido), tentou prever os impactos do calor extremo e da destruição de habitats em quase 30.000 espécies de anfíbios, aves, mamíferos e répteis.
De acordo com a investigação, no cenário mais pessimista, no qual as alterações climáticas e a destruição de habitats continuam a avançar sem dar tréguas, os autores estimam que as espécies de animais poderão ter de enfrentar condições desfavoráveis, em média, em mais de metade das suas áreas de distribuição. Mesmo no cenário mais otimista, as espécies continuarão, ainda assim, a ter de lidar com condições desfavoráveis em 10% dos seus habitats naturais.
Em qualquer cenário, os anfíbios e os répteis serão os grupos mais afetados tanto pelas alterações climáticas, como pela destruição dos seus habitats, bem como pela combinação de ambos os fatores.
O Sahel, o Médio Oriente e o Brasil são das regiões onde os impactos da combinação das alterações climáticas com as alterações no uso e ocupação do solo serão sentidos de forma mais severa até 2100.
Alertam os autores deste trabalho que as quase 8.000 espécies de animais que se prevê que enfrentarão eventos de calor extremo e alterações desfavoráveis no uso e ocupação do solo pelos humanos em todas as áreas onde hoje vivem poderão realmente vir a desaparecer se nada for feito para contrariar essas ameaças.
“Sendo expectável que as alterações climáticas se tornem a principal ameaça à biodiversidade, considerar as mudanças esperadas no uso do solo, além das alterações climáticas, pode fornecer mais informações à ciência e esforços de conservação quanto às espécies e às áreas que mais precisam de conservação”, escrevem os cientistas no artigo.
“Estes desafios sem precedentes exigem um plano de ação imediato e global para garantir a preservação da biodiversidade e o bem-estar humano”, declaram.
Fonte: Greensavers