O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), um dos maiores símbolos da conservação no Brasil, voltou a ser alvo de um sofisticado esquema de tráfico internacional. Com apenas 4.800 indivíduos na natureza em 2023, o primata endêmico da Mata Atlântica fluminense está sendo contrabandeado através de rotas complexas. Usando países como Guiana e Suriname para “lavagem” legal, a fauna é enviada à África e ao mercado asiático, onde colecionadores chegam a pagar US$ 100 mil pelo animal.
Um episódio emblemático ocorreu em fevereiro de 2024, quando autoridades do Togo resgataram 20 micos (e 12 araras-azuis-de-lear) em um veleiro enguiçado na costa africana. A viagem clandestina, iniciada na Bahia, durou 40 dias e foi orquestrada por Alexander Levin, um suspeito com múltiplos passaportes falsos que conseguiu fugir. Três macacos morreram na travessia e os sobreviventes, encontrados com sarna e extrema desnutrição, foram repatriados e reabilitados pela Associação Mico-Leão-Dourado.
Para despistar a fiscalização e driblar a proteção máxima exigida pela Convenção Cites, as quadrilhas falsificam licenças ou exploram brechas regulatórias, “esquentando” animais recém-capturados como se tivessem nascido em cativeiro. A complexidade do esquema cresce com intermediários que facilitam a entrada da fauna na Ásia — investigações recentes da Polícia Federal apuram a conexão com consultores de megazoológicos na Índia e o intenso fluxo operado via Tailândia.
A retomada do interesse predatório por essa espécie exige que as autoridades ampliem o cerco nas fronteiras amazônicas e fortaleçam a cooperação internacional de inteligência, antes que as décadas de esforços dedicadas a salvar o mico-leão-dourado da extinção sejam revertidas pela ganância do contrabando.
Fonte: Mongabay Brasil