O destino da vaquita está por um fio, enquanto o México considera mudanças regulatórias que podem determinar se essa espécie criticamente ameaçada de extinção sobreviverá. Ambientalistas do mundo todo estão soando o alarme, alertando que as decisões tomadas agora podem marcar um ponto de virada na luta para salvar o mamífero marinho mais raro do planeta.
Segundo o Instituto de Bem-Estar Animal (AWI), o México está prestes a publicar novas regras que enfraquecerão significativamente a proteção da vaquita, o cetáceo mais ameaçado do mundo, podendo levar à extinção da espécie. O Grupo Intergovernamental sobre Sustentabilidade no Alto Golfo da Califórnia, uma organização multissetorial criada para supervisionar a implementação de medidas de proteção à vaquita, realizou recentemente uma reunião crucial, propondo novas regulamentações que podem anular as proteções já existentes.
Durante a reunião, o governo mexicano anunciou novas medidas regulatórias propostas para as redes de emalhar, a principal ameaça à vaquita. De acordo com um levantamento de 2025, restam apenas de sete a dez vaquitas na natureza. Essas toninhas são extremamente vulneráveis e se enroscam e se afogam facilmente em redes de emalhar, que são usadas ilegalmente para a captura de totoaba (um peixe grande), camarão e outras espécies marinhas no Alto Golfo da Califórnia.
As novas medidas alterariam as regulamentações mexicanas publicadas em setembro de 2020 que, se totalmente implementadas e aplicadas, eram geralmente consideradas a melhor chance de salvar a vaquita da extinção. No entanto, o país nunca aplicou integralmente essas regulamentações de 2020 e agora está considerando mudanças que incluem a redução em 85% da área onde as redes de emalhar são proibidas, a permissão para o uso de redes de emalhar em habitats conhecidos da vaquita e a autorização para a pesca noturna.
“As novas medidas propostas hoje representam a bandeira branca da rendição do México aos cartéis e pescadores que, durante décadas, supervisionaram ou participaram da pesca ilegal de totoaba e outras espécies, quase levando a vaquita à extinção”, disse DJ Schubert, biólogo sênior da vida selvagem do Instituto de Bem-Estar Animal (AWI). “A falha do México em fazer cumprir as regulamentações existentes — e agora, sua tentativa de revogá-las — está condenando esta amada toninha à extinção.”
A AWI luta há muito tempo, juntamente com outras organizações de bem-estar animal e conservação, para que o México reprima o uso ilegal de redes de emalhar e leve a sério a proteção da vaquita. Diante dos desafios atuais, a organização insta o governo mexicano a reconsiderar esta proposta potencialmente desastrosa.
Se essas mudanças propostas forem adiante, as consequências poderão ser irreversíveis. Com apenas alguns exemplares de vaquitas restantes na natureza, o mundo observa atentamente para ver se o México reforçará seu compromisso com a fiscalização e a proteção da espécie ou se permitirá que ela desapareça para sempre.
Traduzido de World Animal News.