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ESPÉCIE AMEAÇADA

Menos de 1.100 indivíduos na natureza: Temporada de caça termina com 247 lobos mortos em Montana (EUA)

Além do sofrimento causado, a remoção de membros-chave das alcateias pode desestruturar grupos familiares e gerar impactos em cascata no equilíbrio dos ecossistemas da região.

17 de março de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Sam Parks

A temporada de caça e captura de lobos no estado de Montana, nos Estados Unidos, resultou na morte de 247 lobos entre setembro de 2025 e o seu encerramento, no domingo (15/03). O número faz parte do monitoramento oficial do Montana Fish, Wildlife and Parks (FWP), que estabeleceu uma cota de matança de até 452 lobos, uma das mais altas dos últimos anos.

Encerrada neste mês, a temporada permitiu tanto a caça quanto a captura com armadilhas, e os regulamentos estaduais possibilitaram que um mesmo indivíduo matasse vários lobos com a mesma licença. Em períodos anteriores, a matança foi realizada por meio de rifles e armadilhas de aço.

Pressão sobre a população e riscos ecológicos

Além de todo os sofrimento causado, a intensidade da caça pode comprometer a estabilidade das populações. Lobos dependem de estruturas sociais organizadas em alcateias, fundamentais para caça, reprodução e defesa territorial. A morte de indivíduos importantes para a alcateia, como reprodutores, pode fragmentar esses grupos, reduzindo a sobrevivência de filhotes e desorganizando a dinâmica social.

Além disso, os lobos são considerados uma das espécies-chave, com papel essencial no equilíbrio ecológico. Estudos na América do Norte indicam que sua presença regula populações e influencia comportamentos que evitam o sobrepastoreio, beneficiando a vegetação e outras espécies.

O próprio estado estima uma população inferior a 1.100 lobos, mas cientistas contestam a precisão desse número, apontando possível superestimação. Caso a cota máxima seja mantida, cerca de metade da população pode ser morta em uma única temporada, cenário que, segundo análises, pode levar ao colapso populacional e comprometer a viabilidade genética dos lobos nas Montanhas Rochosas do Norte.

Justiça decidiu manter a temporada ativa

Uma tentativa de suspender a caça antes da temporada foi rejeitada pelo Tribunal do Primeiro Distrito Judicial de Lewis and Clark, que decidiu manter em vigor os regulamentos que autorizam a matança em larga escala. Apesar disso, a própria decisão reconheceu que há questionamentos relevantes sobre os métodos de estimativa populacional utilizados pelo estado e indicou que o direito constitucional a um ambiente saudável pode se estender à proteção dos lobos.

A ação judicial foi movida por organizações como WildEarth Guardians, Project Coyote, Footloose Montana e Gallatin Wildlife Association, que contestam a legalidade das políticas estaduais desde 2022, mas o julgamento principal está previsto apenas para 2027.

Ativistas em defesa dos direitos animais classificam a política atual como uma ameaça direta à espécie. Para a advogada Lizzy Pennock, da WildEarth Guardians, a continuidade da temporada representa uma “agenda de erradicação” que coloca em risco não apenas os lobos, mas os ecossistemas que dependem deles.

Já representantes do Project Coyote e de outras entidades afirmam que a decisão judicial deve intensificar a mobilização pública em defesa de uma gestão baseada na ciência. Entre as ações defendidas estão o envio de comentários à Comissão de Pesca e Vida Selvagem de Montana e a pressão sobre legisladores para revisão das cotas.

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