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BALANÇO

Massacre: temporada de caça termina com 477 golfinhos e baleias mortos ou capturados em Taiji, no Japão

Mesmo diante de críticas globais e do fechamento de diversos aquários, as operações seguem respaldadas por permissões governamentais e sustentadas pelo comércio de animais vivos para entretenimento.

2 de março de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: PETA

A temporada anual de caça na enseada de Taiji, no Japão, foi oficialmente encerrada após seis meses de atividades. Ao todo, 393 golfinhos e pequenas baleias foram mortos e outros 84 capturados vivos para abastecer a indústria de aquários e parques marinhos, segundo balanço divulgado pela Fundação Capitão Paul Watson.

As caças, que são realizadas todos os anos entre setembro e março, ganharam repercussão mundial após o documentário vencedor do Oscar The Cove expor as técnicas de condução usadas para encurralar cetáceos em águas rasas. Mesmo diante de críticas internacionais e do fechamento de diversos aquários e parques marinhos ao redor do mundo, a captura de animais em Taiji segue sendo autorizada dentro de cotas estabelecidas pelas autoridades pesqueiras japonesas.

Mercado em declínio, capturas mantidas

De acordo com ativistas, os 84 golfinhos levados vivos nesta temporada devem ser destinados a aquários e parques marinhos no Japão e em outros países. O número é apontado como um contraste diante do cenário global de retração da indústria de exibição de mamíferos marinhos, que enfrenta queda de público e pressão crescente por mudança.

Ainda assim, a captura de animais vivos continua sendo considerada economicamente estratégica, já que o valor pago por um golfinho destinado à exibição costuma superar o obtido com a venda da carne dos animais mortos.

Desde 2003, o Dolphin Project e outras organizações mantêm presença constante em Taiji para documentar as caçadas e divulgar imagens da enseada durante a temporada. Um dos nomes à frente desse monitoramento é o ativista japonês Kunito Seko, que acompanha as operações diariamente e compartilha registros com a comunidade internacional.

Organizações relatam que o trabalho de documentação é realizado sob forte tensão e vigilância, e destacam o impacto emocional de acompanhar, por meses consecutivos, a captura e o assassinatos dos animais.

Intervalo temporário

Com o encerramento da temporada, a enseada permanece, por ora, sem atividades de caça, um breve período em que os golfinhos selvagens da região podem permanecer livres da perseguição direta.

No entanto, a previsão é de que as operações sejam retomadas no próximo ciclo autorizado, a partir de setembro. Até lá, entidades reforçam a pressão internacional e o apelo por mudanças estruturais que levem ao fim definitivo da caça.

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