Na Nova Guiné, uma colaboração entre cientistas, comunidades indígenas e cidadãos cientistas resultou na descoberta de duas espécies de marsupiais consideradas extintas há muito tempo: o gambá-pigmeu-de-dedos-longos (Dactylonax kambuayai) e o planador-de-cauda-anelada (Tous ayamaruensis).
O Bishop Museum, do Havaí, anunciou que, originalmente, os dois animais eram conhecidos apenas por fósseis, tornando esta descoberta a primeira confirmação de espécimes vivos em mais de 7.000 anos.
“Ambas as espécies são belíssimas e provavelmente não se parecem com nada que você já tenha visto antes”, disse Kristofer Helgen, Ph.D, CEO do Bishop Museum, em comunicado.
“Poder dizer que elas realmente estão vivas me traz muita alegria como cientista e conservacionista. É como uma segunda chance de aprender sobre esses animais extraordinários e protegê-los.”
A história da redescoberta dos marsupiais remonta à década de 1990, quando cavernas no oeste da Nova Guiné foram escavadas durante uma pesquisa arqueológica, e dentes fossilizados de dois marsupiais até então desconhecidos pela ciência foram encontrados.
O cientista Ken Aplin, amigo de Helgen, os nomeou como novos para a ciência. Uma semana após a sua morte, o Bishop Museum recebeu uma foto de um animal na natureza, e tratava-se de um gambá-de-cauda-anelada planando.
Posteriormente, o conhecimento compartilhado pelas comunidades indígenas revelou que a espécie é culturalmente importante nas áreas de Tambrauw e Maybrat, em Papua Ocidental.
No caso do gambá-pigmeu-de-dedos-compridos, depois de ser descrito a partir de fósseis, Aplin encontrou dois espécimes em um frasco que haviam passado despercebidos em uma coleção didática da Universidade de Papua Nova Guiné.
“Ao examinar esses espécimes mais de perto, Ken percebeu que se tratava da mesma espécie que ele havia descrito originalmente a partir de dentes fossilizados”, relatou Helgen. “Essa foi a primeira pista de que esses animais ainda existiam nos tempos modernos.”
Mais tarde, na plataforma online iNaturalist, onde cientistas cidadãos de todo o mundo publicam fotos de suas descobertas na área da natureza, a equipe encontrou imagens do animal.
Características dos marsupiais
Menor gambá listrado vivo, o gambá-pigmeu-de-cauda-longa pesa apenas 200 gramas. Ele é adornado com listras pretas e brancas e, em sua pata dianteira, possui um quarto dedo extremamente longo – exclusivo de seu gênero. Tem um filhote por mês.
O planador-de-cauda-anelada, por sua vez, pesa 300 gramas. Ele vive em ocos de árvores grandes, salta e, também, consegue planar de árvore em árvore, usando um patágio, uma grande membrana de pele em cada lado do corpo.
Além disso, possui uma longa cauda preênsil com forte aderência e se alimenta de folhas e seiva de árvores. É um animal noturno, monogâmico e, assim como o Dactylonax kambuayai, tem apenas um filhote por vez.
Os dois marsupiais são chamados de “espécies Lázaro”, um termo científico usado para descrever organismos que reaparecem após serem considerados extintos. “A descoberta de duas espécies Lázaro, consideradas extintas há milênios, é inédita”, celebrou Tim Flannery, pesquisador visitante ilustre do Museu Australiano.
Helgen completou: “Espécies ‘lázaro’ servem como indicadores promissores da resiliência de nossa ‘āina’, nossas ilhas, o ambiente do qual dependemos para viver. Essas ‘redescobertas’ mostram que a extinção pode ser evitada e nos lembram da importância de cuidar de todas as partes da natureza. Quanto mais protegermos e preservarmos nossos recursos naturais, maior a probabilidade de que eles estejam disponíveis para as gerações futuras”.