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COOPERAÇÃO

Macacos-aranha combinam o seu conhecimento para encontrarem as árvores com os melhores frutos

Cientistas do México e do Reino Unido revelam que os macacos-aranha “combinam a sua informação de forma a produzirem novo conhecimento”

5 de fevereiro de 2026
Filipe Pimentel Rações
2 min. de leitura
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Foto: Wikimedia Commons

Os macacos-aranha, primatas do gênero Ateles conhecidos por usarem suas caudas flexíveis e preênseis como se fossem um quinto membro para se locomover pelas árvores, são capazes de combinar o que sabem com o conhecimento de outros para melhorar as chances de encontrar os melhores frutos.

A conclusão é de um estudo publicado este mês na revista ‘npj Complexity’, no qual cientistas do México e do Reino Unido escrevem que os macacos-aranha “combinam a sua informação de forma a produzirem novo conhecimento”.

Entre 2012 e 2017, foram feitas observações em campo de grupos de macacos-aranha da espécie Ateles geoffroyi que vivem em uma área protegida na península de Yucatán, no México. A equipe percebeu que os animais frequentemente mudavam de subgrupos, com três ou mais indivíduos, para poder compartilhar o que sabem sobre a localização das árvores com os melhores frutos e sobre a melhor época para pegá-los e comê-los, mas também para poder obter informações que outros têm.

Por exemplo, esse comportamento poderia se traduzir em algo como um subconjunto de macacos indo até outro para compartilhar o que sabe sobre a localização de uma fonte de alimento e o outro subgrupo compartilhando o que sabe sobre quando será a melhor hora para colher os frutos naquela árvore ou naquele local.

É como se cada subgrupo tivesse uma peça do quebra-cabeça: juntando-as todos podem se beneficiar de uma imagem mais clara sobre onde estão os melhores frutos. Esse conhecimento resulta da experiência que os animais têm dos lugares onde vivem, das visitas que fazem às árvores e associando o que encontram à época do ano em que estão.

Dessa forma, podem minimizar desperdícios de tempo e de energia à procura de alimento ou a visitar locais onde não estejam as fontes de alimento mais nutritivas.

A equipa de cientistas considera que este é “um exemplo convincente de inteligência coletiva em condições naturais”.

Ao mudarem constantemente de subgrupos, os macacos-aranha que sabem coisas diferentes e que conhecem partes distintas da floresta em que vivem podem partilhar essa informação e aumentar o conhecimento o geral do grupo.

Os macacos-aranha Ateles geoffroyi são uma espécie nativa das florestas da América Central e estão classificados como “Em Perigo” de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. A intensa perda de habitat causada pela desflorestação e o tráfico para os mercados de animais exóticos são as principais ameaças.

Esses riscos são amplificados pelo fato de que esses primatas começam a se reproduzir tarde, por só darem à luz uma cria por época de reprodução e por terem longos intervalos entre partos.

Fonte: Greensavers

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