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CUIDADOS

Janeiro Branco reforça a importância da saúde mental e emocional de animais domésticos

Campanha propõe olhar atento ao comportamento, à rotina e ao ambiente como fatores essenciais para o bem-estar animal

2 de janeiro de 2026
Rebecca Vettore
3 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Pixabay

Tradicionalmente associada à saúde mental humana, a campanha Janeiro Branco também abre espaço para reflexões importantes sobre o equilíbrio emocional de cães e gatos.

Sua proposta é ampliar o cuidado para além da saúde física, considerando emoções, comportamentos e a qualidade de vida dos animais de companhia.

De acordo com Camila Freitas, médica-veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, os princípios do Janeiro Branco podem ser aplicados diretamente ao universo animal.

“Cachorros e gatos são seres sencientes, capazes de sentir medo, frustração, ansiedade e estresse. Por isso, o cuidado com o bem-estar emocional deve caminhar junto com a atenção à saúde física”, afirma.

A campanha visa estimular os tutores a observarem a rotina dos animais, o ambiente em que vivem e a qualidade da interação diária.

Mudanças de atitude merecem atenção

Alterações comportamentais costumam ser os primeiros sinais de sofrimento emocional. Em cães, podem surgir agressividade repentina, destruição de objetos, vocalização excessiva, apatia, lambedura compulsiva ou mudanças no apetite.

Já nos gatos, os indícios incluem isolamento, eliminação fora da caixa de areia, excesso de lambedura, redução da interação ou reações agressivas. Segundo a veterinária, essas manifestações não devem ser ignoradas.

“Observar mudanças na conduta é fundamental. Ao perceber algo diferente, o tutor deve respeitar os limites do animal e buscar orientação profissional para identificar a causa e definir estratégias adequadas de manejo”, orienta.

O tédio e a ausência de desafios físicos e mentais também impactam diretamente a saúde mental.

Comportamentos repetitivos, inquietação, destruição de móveis, vocalização excessiva, ganho ou perda de peso e desinteresse por brincadeiras são sinais frequentes de subestimulação.

“Animais muito dependentes do tutor ou excessivamente sonolentos podem estar indicando a necessidade de mais estímulos”, explica a médica-veterinária.

Para ela, oferecer desafios compatíveis com a espécie, idade e condição de saúde é essencial para que cachorros e gatos expressem atitudes naturais e mantenham o equilíbrio emocional.

Enriquecimento ambiental faz diferença

Uma das estratégias mais eficazes nesse contexto é o enriquecimento ambiental, que consiste em tornar o espaço mais interessante e funcional para o animal.

A proposta é estimular comportamentos como farejar, explorar, caçar, escalar e brincar.

Para cães, isso pode incluir brinquedos interativos, passeios variados, jogos de busca e treinos curtos.

Já para os bichanos, arranhadores, prateleiras, esconderijos e brinquedos que simulem a caça são recursos importantes.

“O ideal é variar os encorajamentos e adaptá-los à rotina e às necessidades individuais”, destaca Camila.

A adaptação da casa com espaços verticais, locais de observação e áreas adequadas para descanso e arranhadura também contribui para reduzir o estresse dos felinos, prevenir conflitos e aumentar a sensação de controle do espaço.

Rotina equilibrada e interação positiva

Atividades simples do dia a dia também exercem papel fundamental no bem-estar emocional.

Brincadeiras diárias, momentos de interação positiva, alimentação oferecida de forma lúdica, treinos básicos e um hábito previsível ajudam a reduzir ansiedade e comportamentos indesejados.

Por outro lado, a profissional reforça que punições devem ser evitadas.

“Um ambiente estruturado, com estímulos adequados e respeito às necessidades individuais é a base para cães e gatos emocionalmente saudáveis”, conclui a coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Estácio.

Fonte: Cães&Gatos

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