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DESCARTADOS

Influenciadores e imigrantes abandonam animais domésticos em Dubai ao fugir de ataques no Oriente Médio

Protetores relatam aumento abrupto de casos, com cães encontrados amarrados a postes ou deixados em apartamentos vazios, enquanto abrigos e clínicas veterinárias enfrentam sobrecarga.

10 de março de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: @TheGriftReport/X

Depois de passarem anos ostentando seus cães e gatos como parte de um estilo de vida em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, influenciadores e outros moradores estão abandonando e até pedindo a eutanásia de animais domésticos enquanto fogem da guerra. Foram anos de fotografias em varandas luxuosas, vídeos nas redes sociais e declarações de amor aos “melhores amigos”. Mas bastou que o perigo se aproximasse para que centenas desses animais fossem descartados como objetos inconvenientes.

Após os ataques de mísseis iranianos atingirem os Emirados Árabes Unidos no início de março de 2026, no contexto da guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, milhares de expatriados começaram a deixar Dubai às pressas. Com voos lotados e rotas de fuga congestionadas, muitos decidiram simplesmente abandonar seus animais domésticos, ou ligar para veterinários, pedindo que eles realizassem a eutanásia.

Relatos de protetores indicam que cães estão sendo encontrados amarrados a postes de iluminação, deixados em apartamentos vazios ou largados nas proximidades de abrigos já superlotados. Fotos desses animais, muitos sem comida ou água, passaram a circular nas redes sociais e geraram indignação internacional.

A situação tem colocado organizações de proteção animal sob enorme pressão. O grupo de adoção de cães K9 Friends Dubai afirma estar “sobrecarregado” com relatos de abandono, enquanto o serviço de hospedagem The Barking Lot informou que seus abrigos estão completamente lotados.

“Voluntários em centros de resgate animal relataram centenas de animais abandonados a mais do que o normal, o que está levando os abrigos ao limite, com alguns agora incapazes de cuidar de todos os animais”, declarou Aditi Gouri, proprietária do serviço.

Clínicas veterinárias também estão recebendo uma enxurrada de pedidos para induzir a morte de animais saudáveis. “Alguns veterinários confirmaram que tutores estão pedindo eutanásia porque não querem lidar com os custos de realocação ou com a burocracia para levar o animal para outro país”, revelou um voluntário do Barking Lot.

A organização humanitária War Paws, que atua em resgates de animais em zonas de conflito, afirma que esse tipo de abandono não é novidade em cenários de guerra. Situações semelhantes já foram registradas em conflitos recentes em países como Ucrânia e Iraque. “Algumas pessoas simplesmente não enxergam os animais da mesma forma que nós”, afirmou a CEO da entidade, Louise Hastie.

Em meio aos ataques, o aeroporto de Dubai também sofreu impactos, dificultando a saída aérea. Muitos estrangeiros têm tentado fugir por terra até Omã ou Arábia Saudita, de onde seguem para voos com destino à Europa. Nessas rotas improvisadas, porém, levar um animal se torna mais caro, demorado e burocrático, e é justamente nesse momento que muitos decidem abandoná-los.

Em tempos de conforto, cães e gatos são tratados como símbolos de afeto e status; em tempos de crise, tornam-se descartáveis. Enquanto pessoas atravessam fronteiras em busca de segurança, centenas de animais ficam para trás, não por escolha, mas porque aqueles que juraram protegê-los decidiram que suas vidas eram um peso fácil de largar pelo caminho.

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