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PECUÁRIA

Indústria da carne mata 88 bilhões de animais por ano e pressiona clima, água e biodiversidade

Com população de bois e vacas superior à população humana e bilhões de aves mortas anualmente, o modelo intensivo é apontado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura como um dos principais vetores de degradação ambiental e uso excessivo de recursos naturais.

19 de fevereiro de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária

Dados da Humane Society International (HSI) revelam que cerca de 88 bilhões de animais são criados e mortos anualmente para consumo em todo o mundo, número que supera em cerca de 11 vezes a população humana global. A maior parte desses indivíduos vive em sistemas intensivos de produção, confinada em espaços reduzidos e privados de expressar comportamentos naturais ao longo de toda a vida.

Segundo a organização, a criação de animais destinados à alimentação responde por aproximadamente 14,5% a 16,5% das emissões globais de gases de efeito estufa geradas por atividades humanas, número semelhante ao total emitido por todo o setor de transportes. O impacto climático se soma a outros problemas ambientais associados à pecuária em larga escala.

O Brasil ocupa posição central nesse cenário. O país é o terceiro maior produtor de carne do planeta e lidera as exportações mundiais de carne bovina. Também é o maior produtor e exportador de soja voltada à alimentação de animais criados para serem mortos. Isso significa que sua participação tanto no número de vidas interrompidas quanto nos impactos ambientais da cadeia produtiva está entre as mais significativas do mundo.

O consumo de carne, leite e ovos exige ainda grandes volumes de água. De acordo com o estudo “The Water Footprint: The Relation Between Human Consumption and Water Use”, de Arjen Y. Hoekstra, a produção de um quilo de frango demanda, em média, 4.325 litros de água, enquanto a produção de um quilo de cereais ou leguminosas requer cerca de 1.644 litros.

A própria Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) já classificou a pecuária como um dos dois ou três principais fatores por trás dos mais graves problemas ambientais globais.

Entre as maiores vítimas terrestres desse sistema alimentar estão as aves, especialmente galinhas, mortas aos bilhões todos os anos apenas no Brasil e muito negligenciadas nas discussões sobre bem-estar animal. No caso do bois e vacas, o país possui um rebanho estimado em 252 milhões de cabeças, número superior à sua população humana, de cerca de 213,3 milhões de pessoas. A expansão da pecuária é apontada como um dos fatores associados ao desmatamento, à degradação do solo e à emissão de metano, gás com potencial de aquecimento global superior ao do dióxido de carbono.

A dependência de produtos de origem animal poderia ser reduzida, já que é possível atender às necessidades alimentares por meio de vegetais e outros alimentos de base vegetal, que demandam menos terra e água e geram menos poluentes. Além de diminuir o impacto ambiental, essa mudança reduziria o número de animais mortos e também os danos indiretos à biodiversidade.

Com a perspectiva de crescimento da população humana nas próximas décadas, a manutenção do atual modelo tende a ampliar ainda mais os impactos socioambientais, incluindo o risco de novas doenças zoonóticas associadas à criação intensiva e ao consumo de animais. A discussão sobre alimentação é também um debate urgente sobre ética, sustentabilidade e futuro.

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