
Para além da saúde pública, as sucessivas ondas de calor que atingem a Europa têm trazido também a preocupação com a intensidade dos incêndios provocados pelas altas temperaturas e as emissões associadas. Desde o início do ano, segundo o Sistema Europeu de Informações sobre Incêndios Florestais (EFFIS), já foram emitidas 5,13 milhões de toneladas de CO2 no continente e especialistas temem um novo recorde, caso o cenário atual perdure.
Ainda segundo o EFFIS, até o dia 1º de julho, 962 focos de incêndio já haviam sido registrados, totalizando 118,7 mil hectares queimados – praticamente o tamanho do município do Rio de Janeiro. Somente na França foram 28 mil hectares atingidos pelo fogo até o primeiro dia do mês. Na Espanha, as chamas consumiram 50 mil hectares de vegetação, mais do que o dobro da média para essa época do ano.
Considerando todo o continente, a área queimada é menor do que a registrada no mesmo período em 2025 — o pior ano da série histórica para incêndios florestais —mas ainda assim está acima da média dos últimos 20 anos (2006-2025).
O sistema europeu também indica que a quantidade de CO2 emitida pelas queimadas florestais este ano – 5,13 Mt de CO2 – está um pouco abaixo do registado em 2025 para o mesmo período, quando foram lançados no ar 5,79 Mt de CO2. No entanto, a chegada do El Niño, associada às mudanças climáticas, pode mudar este cenário, fazendo com que 2026 ultrapasse o total de emissões vinculadas a incêndios florestais do ano passado – 47 milhões de toneladas de CO2.
Ao contrário das emissões associadas aos setores de energia, transportes, indústria e agricultura — ainda as maiores fontes de gases de efeito estufa no continente —, as emissões dos incêndios ocorrem de forma concentrada, liberando, em poucos dias, grandes volumes de dióxido de carbono, metano, monóxido de carbono, partículas finas e carbono negro.
As estimativas consolidadas para os incêndios desta semana ainda dependem da extensão final das áreas atingidas, mas os monitoramentos já indicam condições de risco elevado de mais incêndios, poluição e outros impactos em boa parte do sul da Europa.
Segundo o EFFIS, condições muito extremas de risco de incêndios abrangem uma ampla faixa da Europa Ocidental e Central, com maior concentração na França, na Península Ibérica (especialmente nas porções sul e oeste), na Europa Central, ao redor dos Alpes, e no sul das Ilhas Britânicas.
Áreas com risco de extremo a muito extremo também são observadas em partes dos Bálcãs Ocidentais, enquanto níveis elevados de risco atingem a Turquia e o sul da Escandinávia. Já o leste da Europa e o norte da Escandinávia permanecem, em sua maior parte, em baixo risco de incêndios.
Contudo, a preocupação vai além da fumaça dos incêndios. Quando eles se tornam mais fortes e frequentes, como tem acontecido nos últimos anos, a recuperação da vegetação queimada pode ser parcial ou até mesmo não ocorrer, reduzindo a capacidade das florestas de capturar e armazenar carbono. A situação cria um ciclo vicioso, em que a crise do clima aumenta a frequência e a intensidade das ondas de calor, que favorecem grandes incêndios, e esses liberam mais gases de efeito estufa, contribuindo para intensificar o aquecimento do planeta.
Fonte: Observatório do Clima




