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CONSEQUÊNCIAS

Incêndios na Patagônia fazem região da Argentina bater recorde de poluição

Monitoramento do observatório europeu Copernicus aponta maior nível de emissões já registrado nas medições, iniciadas em 2003

30 de janeiro de 2026
Marco Britto
3 min. de leitura
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Foto: Argentina National Gendarmerie / Handout/Anadolu via Getty Images

Os incêndios florestais da Patagônia no mês de janeiro bateram recordes, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29/01) pelo Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (CAMS), integrante do observatório espacial europeu. A província argentina de Chubut teve as maiores emissões de fumaça geradas por queimadas desde o início das leituras via satélite, em 2003, afirmou a agência.

Apenas em janeiro foram quase 1,6 milhão de toneladas de carbono despejadas no ar, o maior patamar já registrado pelo Copernicus. A região enfrentou incêndios florestais severos desde dezembro, em particular na área protegida do Parque Nacional Los Alerces, com um território queimado estimado em 32 mil campos de futebol.

O carbono emitido na fumaça dos incêndios florestais acentua o aquecimento do planeta, uma vez que se acumula na atmosfera junto à poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis como petróleo e carvão. Dados europeus mostram uma intensa atividade em Chubut a partir do início de janeiro e um aumento acentuado nas emissões nos últimos dias.

Os incêndios seguem ativos, sendo que a região sofre com chuvas abaixo da média há cerca de 15 anos. Nesta quinta, o governo argentino anunciou que entregará mais de 100 bilhões de pesos (R$ 360 milhões) às associações de Bombeiros Voluntários para a compra de equipamentos, publicou o jornal Clarín.

Chile também enfrenta as chamas

No Chile, dados do CAMS mostram a intensidade do incêndio florestal que matou 21 pessoas e forçou a evacuação de cerca de 50 mil nas regiões de Ñuble e Biobío, a aproximadamente 500 quilômetros ao sul da capital, Santiago. As emissões de carbono provenientes de incêndios florestais em janeiro foram as mais altas desde 2017, ano de temporada considerada “catastrófica” pelos pesquisadores, quando as emissões chegaram a quase 11 milhões de toneladas de carbono em forma de fumaça.

Em 2026, as emissões dos incêndios no país beiram 1 milhão de toneladas de carbono. No total, cerca de 20 incêndios foram declarados durante a semana entre 18 e 23 de janeiro, devastando 42 mil hectares e afetando cerca de 20 mil pessoas.

“A fumaça se espalhou por toda a região, impactando significativamente a qualidade do ar e a visibilidade, com as maiores concentrações de partículas finas (PM2,5) observadas ao redor da cidade de Concepción, na província de Biobío, no Chile. A maior coluna de fumaça dos incêndios foi capturada por imagens de satélite e dados de previsão do CAMS enquanto se deslocava pelo Oceano Pacífico”, observou o boletim.

Fonte: Um só Planeta

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